{"id":50435,"date":"2025-01-28T20:48:21","date_gmt":"2025-01-28T23:48:21","guid":{"rendered":"https:\/\/apub.org.br\/?p=50435"},"modified":"2025-01-29T00:01:23","modified_gmt":"2025-01-29T03:01:23","slug":"escolas-do-campo-precisam-de-atencao-especial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apub.org.br\/siteantigo\/escolas-do-campo-precisam-de-atencao-especial\/","title":{"rendered":"Escolas do Campo precisam de aten\u00e7\u00e3o especial"},"content":{"rendered":"\n<p>Nesse in\u00edcio de 2025, novos gestores tomaram posse, e uma das pautas que merece aten\u00e7\u00e3o \u00e9 o fortalecimento da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica, em especial, das Escolas do Campo, em sua maioria, geridas pelo poder p\u00fablico municipal. Atualmente, no Brasil, das 178.476 unidades escolares, 29,1% s\u00e3o rurais, segundo os dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira (Inep). Entre as 51 mil escolas localizadas em \u00e1reas rurais no pa\u00eds, 88,29% s\u00e3o geridas por prefeituras; na Bahia, esse percentual chega a 96,69%.<\/p>\n\n\n\n<p>O fechamento dessas institui\u00e7\u00f5es de ensino tem sido uma realidade crescente, cen\u00e1rio que preocupa e tem sido alvo de <a href=\"https:\/\/fonec.org\/campanhas\/\">mobiliza\u00e7\u00f5es<\/a> dos movimentos sociais do campo. Um exemplo disso \u00e9 a campanha \u201cFechar Escola \u00e9 Crime\u201d, promovida pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra desde 2011. Do mesmo modo, a campanha  \u201cRa\u00edzes Se Formam no Campo\u201d, Organizada pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (CONTAG), busca fortalecer a educa\u00e7\u00e3o no campo e combater o desmonte da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"566\" height=\"800\" data-id=\"50436\" src=\"https:\/\/apub.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Cartaz_Final_fechar_escola.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-50436\"\/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"750\" data-id=\"50437\" src=\"https:\/\/apub.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Logo-da-Campanha.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-50437\"\/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>Segundo dados do <a href=\"https:\/\/app.powerbi.com\/view?r=eyJrIjoiN2ViNDBjNDEtMTM0OC00ZmFhLWIyZWYtZjI1YjU0NzQzMTJhIiwidCI6IjI2ZjczODk3LWM4YWMtNGIxZS05NzhmLWVhNGMwNzc0MzRiZiJ9\">Censo Escolar da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica 2023<\/a>, houve uma queda no n\u00famero de escolas b\u00e1sicas na \u00faltima d\u00e9cada. Em 2014, eram 188.130 escolas, n\u00famero que caiu para 178.476, em 2023, ou seja, 9.654 unidades escolares a menos. Quando considerada a localiza\u00e7\u00e3o, percebe-se que o fechamento atingiu ainda mais a zona rural: em 2014, eram 67.468 escolas no campo; j\u00e1 em 2023, esse n\u00famero caiu para 51.856 &#8211; 15.612 escolas a menos, que correspondem a uma queda de 23,14%.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"1920\" height=\"1080\" src=\"https:\/\/apub.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Fonte-INEP-\u2013-Censo-Escolar-da-Educacao-Basica.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-50438\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Os munic\u00edpios v\u00eam produzindo o que \u00e9 conceituado como \u201cnuclea\u00e7\u00e3o\u201d, que consiste no fechamento das escolas localizadas no campo e na transfer\u00eancia dos alunos atendidos, at\u00e9 ent\u00e3o na sua pr\u00f3pria comunidade, para uma escola polo ou \u201cnucleada\u201d, geralmente localizada em zona urbana. Essa transfer\u00eancia ignora as dificuldades de deslocamento e desvincula os jovens de sua cultura local, ocasionando ainda a posterior evas\u00e3o escolar. Segundo dados do F\u00f3rum Nacional de Educa\u00e7\u00e3o do Campo (Fonec), <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/10\/30\/fechamento-de-escolas-do-campo-ameaca-educacao-em-comunidades-no-parana#:~:text=O%20fechamento%20das%20escolas%20do,eram%20localizadas%20em%20zonas%20rurais\">divulgados pelo Brasil de Fato<\/a>, entre 2002 e 2022, foram encerradas 155.383 institui\u00e7\u00f5es em todo o Brasil. Desse total, quase 50 mil estavam em \u00e1reas urbanas, enquanto 106.410 eram localizadas em zonas rurais.<\/p>\n\n\n\n<p>O Mapa do Analfabetismo no Brasil traz um retrato desse progressivo enfraquecimento da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica no campo: segundo dados do IBGE e do PNAD de 2001, a taxa de analfabetismo, que em \u00e1reas urbanas brasileiras \u00e9 de 9,5, atinge o \u00edndice de 28,7%, tr\u00eas vezes superior nas \u00e1reas rurais. No Nordeste, que possui um \u00edndice de analfabetismo quase duas vezes maior do que a m\u00e9dia nacional (18%), nas \u00e1reas rurais, chega a 40,7%.  A nuclea\u00e7\u00e3o das escolas do campo no Brasil, apesar de ser justificada como uma solu\u00e7\u00e3o para problemas de infraestrutura e organiza\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica, n\u00e3o atende aos interesses das popula\u00e7\u00f5es campesinas, que preferem escolas p\u00fablicas de qualidade mais pr\u00f3ximas de suas resid\u00eancias. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o pratiquem a nuclea\u00e7\u00e3o; n\u00e3o coloquem crian\u00e7as em \u00f4nibus a andar horas e horas para ir a outros lugares, onde se perde a raiz do campesinato, da vida no campo, a raiz da agroecologia, se perde a raiz da reforma agr\u00e1ria. Fechar escolas do campo, negar educa\u00e7\u00e3o \u00e0s crian\u00e7as e aos jovens do campo \u00e9 crime\u201d, ressaltou a professora Celi Taffarel, ao se dirigir aos gestores municipais em campanha contra o fechamento das Escolas do Campo. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"&quot;N\u00e3o pratiquem a nuclea\u00e7\u00e3o\u201d, afirma a professora Celi Taffarel, em defesa das Escolas do Campo\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7_ShpGiqLO8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Direito fundamental <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O fechamento de escolas do campo fere a <a href=\"http:\/\/legislacao.planalto.gov.br\/legisla\/legislacao.nsf\/Viw_Identificacao\/lei%2012.960-2014?OpenDocument\">Lei 12.960\/2014<\/a>, que determina que, antes de fechar escolas do campo, o prefeito ou secret\u00e1rio de educa\u00e7\u00e3o precisa ouvir o conselho municipal de educa\u00e7\u00e3o, \u00f3rg\u00e3o que tem na sua composi\u00e7\u00e3o representantes dos gestores e de toda a comunidade escolar. Fere, ainda, a <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/Leis\/L9394.htm\">Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o Nacional<\/a> (LDB), que prev\u00ea a oferta de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica para essas popula\u00e7\u00f5es, com curr\u00edculos e metodologias apropriadas \u201c\u00e0s reais necessidades e interesses dos alunos das escolas do campo, com possibilidade de uso, dentre outras, da pedagogia da altern\u00e2ncia\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>Segundo <a href=\"http:\/\/escolas.educacao.ba.gov.br\/sites\/default\/files\/private\/midiateca\/documentos\/2017\/diagnostico-versao-final-jan-2017.pdf\">levantamento<\/a> realizado pelo governo do estado da Bahia em 2017, com base nos dados do Inep de 2010, apenas 15% das escolas do campo daquele per\u00edodo seguiam uma proposta pedag\u00f3gica fundamentada nas diretrizes da educa\u00e7\u00e3o no campo. Foi realizado um diagn\u00f3stico com as 375 escolas municipais rurais, entre as quais 352 foram classificadas como  \u201cN\u00e3o Diferenciadas\u201d; 10 como Escolas Quilombolas; nove eram Escolas de Assentamento, e outras quatro eram Ind\u00edgenas. Entre elas, 38,07% adotavam a proposta pedag\u00f3gica fundamentada pela LDB; 26,43% tinham como refer\u00eancia a lei 11.648\/2008 que regulamenta a inclus\u00e3o nos curr\u00edculos da discuss\u00e3o sobre a cultura africana e afro-brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Os movimentos sociais do campo t\u00eam lutado por uma educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, gratuita, laica, democr\u00e1tica e de qualidade, que respeite e valorize os modos de vida, as culturas, os saberes, as formas de produ\u00e7\u00e3o e de conviv\u00eancia com a natureza das popula\u00e7\u00f5es que vivem no campo. A constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de Educa\u00e7\u00e3o do Campo resultam das lutas por uma escola que valorize a identidade e a diversidade das popula\u00e7\u00f5es que vivem e trabalham no campo.<\/p>\n\n\n\n<p>A Educa\u00e7\u00e3o no Campo, nesse contexto, possibilita que a popula\u00e7\u00e3o campesina se mantenha conectada com suas condi\u00e7\u00f5es de exist\u00eancia social, com a terra e com o meio ambiente. A educa\u00e7\u00e3o rural passa, assim, a ser pensada para al\u00e9m da oposi\u00e7\u00e3o ao urbano, com a escola desempenhando um papel central na constru\u00e7\u00e3o de novas formas de viver o campo e na luta por justi\u00e7a social.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesse in\u00edcio de 2025, novos gestores tomaram posse, e uma das pautas que merece aten\u00e7\u00e3o \u00e9 o fortalecimento da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica, em especial, das Escolas do Campo, em sua maioria, geridas pelo poder p\u00fablico municipal. 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