{"id":46934,"date":"2024-01-29T16:28:32","date_gmt":"2024-01-29T19:28:32","guid":{"rendered":"https:\/\/apub.org.br\/?p=46934"},"modified":"2024-01-29T16:28:34","modified_gmt":"2024-01-29T19:28:34","slug":"conae-2024-com-a-participacao-do-proifes-coloquios-debatem-privatizacao-da-educacao-justica-social-e-novos-paradigmas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apub.org.br\/siteantigo\/conae-2024-com-a-participacao-do-proifes-coloquios-debatem-privatizacao-da-educacao-justica-social-e-novos-paradigmas\/","title":{"rendered":"Conae 2024: Com a participa\u00e7\u00e3o do PROIFES, col\u00f3quios debatem privatiza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o, justi\u00e7a social e novos paradigmas"},"content":{"rendered":"\n<p>A delega\u00e7\u00e3o do PROIFES-Federa\u00e7\u00e3o teve ampla participa\u00e7\u00e3o dos col\u00f3quios que fazem parte da Confer\u00eancia Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (Conae) 2024. Proposto pela federa\u00e7\u00e3o, o Col\u00f3quio 14, com o tema \u201cPrivatiza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o: desafios e estrat\u00e9gias de luta para o pr\u00f3ximo dec\u00eanio\u201d, teve como palestrantes Geovana Reis (Adufg\/Proifes), David Edwards (Internacional da Educa\u00e7\u00e3o), e F\u00e1tima Silva (CNTE\/IEAL), e foi mediado por Raquel Nery (Apub\/Proifes).<\/p>\n\n\n\n<p>O Col\u00f3quio 6, com o tema \u201cJusti\u00e7a social e desenvolvimento socioambiental sustent\u00e1vel: contribui\u00e7\u00f5es para o PNE\u201d,&nbsp; foi mediado por Carlos Alberto Marques (Apufsc\/Proifes) e teve como palestrantes Antonio Iba\u00f1ez (UnB), Marilene Corr\u00eaa da Silva Freitas(SBPC\/UFAM), Suely Menezes (CNE) e Leosmar Terena (Minist\u00e9rio dos Povos Ind\u00edgenas).<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o Col\u00f3quio 20, \u201cDesconstruindo Paradigmas na Educa\u00e7\u00e3o: Uma Perspectiva Bell Hooks\u201d, foi mediado por Ros\u00e2ngela Oliveira, do Proifes, e teve como palestrantes Raissa Silveira de Melo (UBM), M\u00f4nica Oliveira (UBM) e Ana Claudia Marocchi (Sindiutec).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Privatiza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o em debate<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/proifes.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/WhatsApp-Image-2024-01-29-at-13.08.49-1024x768.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-21264\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Proposto pelo PROIFES, o col\u00f3quio 14, que teve como tema \u201cPrivatiza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o: desafios e estrat\u00e9gias de luta para o pr\u00f3ximo dec\u00eanio\u201d, alertou que a defesa da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, gratuita e de qualidade est\u00e1 ligada \u00e0 regulamenta\u00e7\u00e3o do ensino privado, com foco na valoriza\u00e7\u00e3o dos profissionais e nas melhores pr\u00e1ticas de aprendizado. \u201c\u00c9 preciso lutar por mudan\u00e7as na legisla\u00e7\u00e3o capazes de garantir uma pr\u00e1tica de educa\u00e7\u00e3o realmente transformadora. Educa\u00e7\u00e3o \u00e9 direito, n\u00e3o \u00e9 mercadoria\u201d, afirmou a diretora de Assuntos Interinstitucionais do Adufg-Sindicato, professora Geovana Reis.<\/p>\n\n\n\n<p>A docente da Universidade Federal de Goi\u00e1s (UFG) tamb\u00e9m destacou os riscos do avan\u00e7o da gest\u00e3o privada na educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Geovana lembrou que tem sido cada vez mais comum ver parte da classe pol\u00edtica defendendo que escolas p\u00fablicas sejam geridas por Organiza\u00e7\u00f5es Sociais (OSs). \u201cN\u00e3o h\u00e1 melhora na qualidade do ensino por meio dessa modalidade. \u00c9 preciso estancar o avan\u00e7o da mercantiliza\u00e7\u00e3o do ensino\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>A vice-presidente da Internacional da Educa\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina (IEAL), F\u00e1tima Silva, tamb\u00e9m participou do col\u00f3quio. \u201cPassamos por quatro anos de ataques \u00e0 educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica. O governo 2018-2022 n\u00e3o cumpriu metas e reduziu o financiamento da educa\u00e7\u00e3o. \u201cVamos precisar de muita uni\u00e3o para conseguir avan\u00e7ar nas pautas do ensino p\u00fablico, gratuito e de qualidade\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda no col\u00f3quio, o secret\u00e1rio-geral da Educa\u00e7\u00e3o Internacional, David Edward, fez um apelo para que haja, de fato, investimento na educa\u00e7\u00e3o e na valoriza\u00e7\u00e3o dos professores. \u201c\u00c9 preciso garantir que os governos financiem totalmente a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e invistam na profiss\u00e3o docente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Justi\u00e7a socioambiental em pauta<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/proifes.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/IMG_5897-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-21265\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>O Col\u00f3quio 6, focado em justi\u00e7a socioambiental na educa\u00e7\u00e3o, foi mediado por Carlos Alberto Marques, diretor de pol\u00edticas educacionais do PROIFES-Federa\u00e7\u00e3o e membro do F\u00f3rum Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (FNE). Carlos Alberto coordena o Eixo 7 da Conae, com o tema \u201cEduca\u00e7\u00e3o comprometida com a justi\u00e7a social, a prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade, o desenvolvimento socioambiental sustent\u00e1vel para a garantia de uma vida com qualidade e o enfrentamento das desigualdades e da pobreza\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No col\u00f3quio, Marilene Freitas, da Sociedade Brasileira para Progresso da Ci\u00eancia (SBPC) afirmou que as desigualdades sociais aumentaram no Brasil, tornando pontos como a igualdade de g\u00eanero quase uma utopia. Ela lamentou que, diferente da \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 um projeto nacional para a ci\u00eancia e a tecnologia. Disse ainda que \u201cj\u00e1 se v\u00ea que a articula\u00e7\u00e3o entre justi\u00e7a social e desenvolvimento sustent\u00e1vel est\u00e1 muito longe de acontecer\u201d no pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Antonio Iba\u00f1ez, professor aposentado da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), considerou \u201cquase um milagre que essa confer\u00eancia tenha sa\u00eddo em t\u00e3o pouco tempo\u201d, e se referiu aos professores e professoras como \u201csobreviventes dos \u00faltimos seis anos\u201d. Sobre as desigualdades sociais na educa\u00e7\u00e3o, Iba\u00f1ez citou o programa P\u00e9 de Meia, rec\u00e9m-lan\u00e7ado pelo governo federal. \u201cEsse programa pretende tornar a desigualdade que existe na escola um pouco menor\u201d, resumiu.<\/p>\n\n\n\n<p>Iba\u00f1ez, que foi secret\u00e1rio de Educa\u00e7\u00e3o do Distrito Federal, finalizou falando sobre a falta de professores e criticando o Novo Ensino M\u00e9dio, que chamou de \u201ccontra reforma da educa\u00e7\u00e3o\u201d: \u201cO que se quer com ele \u00e9 manter a hegemonia de classes dominantes\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Suely Menezes, do Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (CNE), falou de sua experi\u00eancia de d\u00e9cadas como conselheira e defendeu: \u201ca pr\u00e1tica da justi\u00e7a social exige que a gente reconhe\u00e7a que faz parte de um coletivo\u201d. Para ela, a grande import\u00e2ncia da Conae \u00e9 resultar em um novo Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o com \u201cpropostas para uma gera\u00e7\u00e3o mais consciente\u201d. Suely sugeriu que pr\u00e1ticas relacionadas \u00e0 justi\u00e7a socioambiental sejam transversais no campo educacional, da educa\u00e7\u00e3o infantil \u00e0 p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o: \u201cE o professor \u00e9 o melhor personagem, porque transita por todo esse processo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A conselheira apontou tamb\u00e9m a necessidade de a educa\u00e7\u00e3o escolar ind\u00edgena, quilombola e do campo estarem pr\u00f3ximas destas popula\u00e7\u00f5es, cobrou a reconstru\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos (EJA) e afirmou que a educa\u00e7\u00e3o integral pode gerar mais igualdade.<\/p>\n\n\n\n<p>Leosmar Terena, do Minist\u00e9rio dos Povos Ind\u00edgenas, contou sua experi\u00eancia pessoal: \u201cquando eu fui para a universidade, meus dois irm\u00e3os tiveram que largar a escola e trabalhar para auxiliar a fam\u00edlia\u201d. Ele apresentou uma quest\u00e3o particular dos povos ind\u00edgenas: \u201csem territ\u00f3rio homologado n\u00e3o h\u00e1 educa\u00e7\u00e3o escolar ind\u00edgena. O plano pedag\u00f3gico \u00e9 permeado pela territorialidade. Uma nascente \u00e9 espa\u00e7o de forma\u00e7\u00e3o, a mata \u00e9 espa\u00e7o de forma\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao encerrar o col\u00f3quio, Bebeto adiantou algumas proposi\u00e7\u00f5es e diretrizes que ser\u00e3o contempladas pelo texto do Eixo 7 da Conae, como quest\u00f5es federativas, o tratamento de emerg\u00eancias clim\u00e1ticas, uma educa\u00e7\u00e3o ambiental que valorize m\u00faltiplos saberes e culturas e a forma\u00e7\u00e3o docente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mulheres desconstroem paradigmas na educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/proifes.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/IMG_5872-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-21266\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Com media\u00e7\u00e3o da diretora de Assuntos Educacionais do Ensino B\u00e1sico, T\u00e9cnico e Tecnol\u00f3gico do PROIFES-Federa\u00e7\u00e3o e presidenta do Sindiedutec, Ros\u00e2ngela Gon\u00e7alves, o Col\u00f3quio 20: \u201cDesconstruindo Paradigmas na Educa\u00e7\u00e3o: Uma Perspectiva Bell Hooks\u201d, contou com uma mesa inteiramente composta por mulheres. Participaram da discuss\u00e3o Raissa Silveira de Melo e M\u00f4nica Oliveira, da Uni\u00e3o Brasileira de Mulheres (UBM), e a professora Ana Claudia Marocchi, do Sindiedutec.<\/p>\n\n\n\n<p>O Col\u00f3quio prop\u00f4s uma aproxima\u00e7\u00e3o da Bell Hooks com o Paulo Freire no que diz respeito a transgredir na educa\u00e7\u00e3o e na escola. A mesa defendeu que as rela\u00e7\u00f5es de feminismo precisam desse olhar atento do educador e da educadora. A ideia \u00e9 que no documento base da Conae haja uma transgress\u00e3o \u00e0 norma estabelecida, que coloca as mulheres numa situa\u00e7\u00e3o de submiss\u00e3o, de ac\u00famulo de espa\u00e7os de trabalho, e de refer\u00eancia com os cuidados.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cColocamos essas discuss\u00f5es com base nesses dois autores e tamb\u00e9m a discuss\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o ao etarismo que os dois autores apresentam, num processo de mais maturidade da sua discuss\u00e3o te\u00f3rica. E quanto \u00e0s mulheres trabalhadoras que est\u00e3o a se aproximar dos 50 anos, sofrem as mesmas opress\u00f5es?\u201d, pontuou Ros\u00e2ngela Gon\u00e7alves.<\/p>\n\n\n\n<p>A conclus\u00e3o durante o debate foi que sim! Mulheres acima dos 50 anos sofrem as mesmas opress\u00f5es, apenas com mudan\u00e7a dos atores ou dos sujeitos que a circulam. Mas como se identificar dentro desse processo, sendo pessoas do nosso tempo hist\u00f3rico, cultural, entendendo que \u00e9 s\u00f3 uma constru\u00e7\u00e3o cultural? Esse foi o questionamento que permeou todo o debate.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA sobreposi\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia das mulheres aumenta e amplia quando essa mulher \u00e9 uma mulher preta, quando essa mulher \u00e9 a mulher preta de mais idade, ou, pior, ainda mais quando essa mulher \u00e9 uma mulher trans preta com mais idade. Ent\u00e3o, Como \u00e9 que a gente supera essas quest\u00f5es e transgride na escola as regras que nos oprimem?\u201d, questionou Ros\u00e2ngela.<\/p>\n\n\n\n<p>O Col\u00f3quio contou com uma ampla participa\u00e7\u00e3o, especialmente do p\u00fablico feminino.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Fonte: PROIFES-Federa\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A delega\u00e7\u00e3o do PROIFES-Federa\u00e7\u00e3o teve ampla participa\u00e7\u00e3o dos col\u00f3quios que fazem parte da Confer\u00eancia Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (Conae) 2024. 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