{"id":40549,"date":"2022-09-27T10:47:50","date_gmt":"2022-09-27T13:47:50","guid":{"rendered":"http:\/\/apub.org.br\/?p=40549"},"modified":"2022-09-27T10:47:51","modified_gmt":"2022-09-27T13:47:51","slug":"como-a-avaliacao-esta-a-servico-da-mercantilizacao-da-ciencia-e-da-universidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apub.org.br\/siteantigo\/como-a-avaliacao-esta-a-servico-da-mercantilizacao-da-ciencia-e-da-universidade\/","title":{"rendered":"Como a avalia\u00e7\u00e3o est\u00e1 a servi\u00e7o da mercantiliza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia e da universidade"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"512\" src=\"http:\/\/apub.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/APUB-Mercantilizacao-universidade-REDES-1024x512.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-40551\" srcset=\"https:\/\/www.apub.org.br\/siteantigo\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/APUB-Mercantilizacao-universidade-REDES-1024x512.jpg 1024w, https:\/\/www.apub.org.br\/siteantigo\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/APUB-Mercantilizacao-universidade-REDES-300x150.jpg 300w, https:\/\/www.apub.org.br\/siteantigo\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/APUB-Mercantilizacao-universidade-REDES-768x384.jpg 768w, https:\/\/www.apub.org.br\/siteantigo\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/APUB-Mercantilizacao-universidade-REDES.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"justificado\">Nos \u00faltimos anos, a avalia\u00e7\u00e3o acad\u00eamica tem passado por um processo profundo de transforma\u00e7\u00e3o \u2013 que visa, sobretudo, responder ao aprofundamento da l\u00f3gica neoliberal na sociedade \u2013 tendo como foco a avalia\u00e7\u00e3o \u201cprodutivista\u201d, ou seja, baseada na quantidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"justificado\">Segundo o pesquisador da USP Marcos Barbosa de Oliveira, esse processo de mercantiliza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia \u00e9 o n\u00facleo da reforma neoliberal da Universidade, que tem entre seus pilares a prescri\u00e7\u00e3o de que as universidades devem ser administradas como se fossem empresas privadas \u2013 portanto a avalia\u00e7\u00e3o quantitativa \u00e9 apenas uma das facetas da transforma\u00e7\u00e3o da Universidade num simulacro de empresa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"justificado\">Em outras palavras, para implementar nas universidades p\u00fablicas, que n\u00e3o visam lucro, uma forma de administra\u00e7\u00e3o que seja estruturalmente igual \u00e0 das empresas, \u00e9 necess\u00e1rio um substituto para o papel do lucro: a produtividade. E para medir a produtividade \u00e9 preciso medir a produ\u00e7\u00e3o via avalia\u00e7\u00e3o quantitativa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Disfar\u00e7ada de \u201cpresta\u00e7\u00e3o de contas\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"justificado\">De maneira geral, quando se trata de defender esse \u201cnovo modelo\u201d de avalia\u00e7\u00e3o, afirma-se que ela teria tr\u00eas fun\u00e7\u00f5es: o aumento da \u201cprodutividade\u201d; a presta\u00e7\u00e3o de contas \u00e0 sociedade (por se tratar de um recurso p\u00fablico); e o combate \u00e0 des\u00eddia (um suposto \u2018relapso\u2019 ou \u2018pregui\u00e7a\u2019 do servidor p\u00fablico em cumprir suas obriga\u00e7\u00f5es).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"justificado\">No entanto, todas elas, de formas mais ou menos disfar\u00e7adas, imp\u00f5em \u00e0 universidade p\u00fablica uma transposi\u00e7\u00e3o da l\u00f3gica do lucro, em que o mercado dita as regras do que \u00e9 ou n\u00e3o \u00e9 rent\u00e1vel, portanto, do que se deve ou n\u00e3o deve produzir em termos de ci\u00eancia (e n\u00e3o cumprem exatamente as fun\u00e7\u00f5es que se dizem ser destinadas).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"justificado\">Pesquisadores da UFSM, por exemplo, revelam que as regras ditadas pelo mercado aparecem como mantra em documentos orientadores internacionais e nacionais para educa\u00e7\u00e3o. <em>Valor agregado, compara\u00e7\u00e3o do risco, rankings de qualidade, efici\u00eancia, efic\u00e1cia, redes de governan\u00e7a <\/em>s\u00e3o algumas das palavras empregadas por diversos economistas e corpora\u00e7\u00f5es do mercado na e para a educa\u00e7\u00e3o \u2013 criando uma verdadeira cultura de performatividade.<\/p>\n\n\n\n<p>O que \u00e9 isso?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cultura da performatividade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"justificado\">A imposi\u00e7\u00e3o dessa \u201ccultura da performatividade\u201d \u00e9 um mecanismo chave porque desenvolve uma tecnologia pol\u00edtica como forma e meio de governar os processos de medidas e compara\u00e7\u00e3o que organizam as condi\u00e7\u00f5es para governar \u2013 implementando a l\u00f3gica neoliberal em todos os espa\u00e7os, principalmente naqueles em que a sociedade produz conhecimento sobre o mundo e sobre si mesma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"justificado\">As consequ\u00eancias s\u00e3o nefastas e atingem docentes de todos os n\u00edveis educacionais. Confira alguns dos impactos das disfuncionalidades da avalia\u00e7\u00e3o neoliberal na vida acad\u00eamica, elencados por Oliveira:<\/p>\n\n\n\n<p>1. Queda na qualidade de vida dos docentes;<\/p>\n\n\n\n<p>2. Incompatibilidade com o exerc\u00edcio da responsabilidade social;<\/p>\n\n\n\n<p>3. Falta de engajamento na defesa dos interesses da comunidade;<\/p>\n\n\n\n<p>4. Prolifera\u00e7\u00e3o de m\u00e1s condutas;<\/p>\n\n\n\n<p>5. Eros\u00e3o da ideia de autoria;<\/p>\n\n\n\n<p>6. Desvirtuamento das cita\u00e7\u00f5es;<\/p>\n\n\n\n<p>7. Decl\u00ednio na qualidade da produ\u00e7\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<p>8. Peri\u00f3dicos predat\u00f3rios;<\/p>\n\n\n\n<p>9. Desvaloriza\u00e7\u00e3o da doc\u00eancia;<\/p>\n\n\n\n<p>10. Custo;<\/p>\n\n\n\n<p>11. Fetichismo dos rankings universit\u00e1rios<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 poss\u00edvel seguir por outro caminho?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"justificado\">O modelo de avalia\u00e7\u00e3o neoliberal \u00e9 fundamentalmente contradit\u00f3rio com os princ\u00edpios da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, de qualidade, que visa a forma\u00e7\u00e3o da cidadania e o desenvolvimento do senso cr\u00edtico, ancorados na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento voltada aos interesses da sociedade, e n\u00e3o do lucro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"justificado\">Portanto trata-se n\u00e3o apenas de m\u00e9tricas e indicadores, mas do eixo sobre o qual se pensa, se articula e se produz e, consequentemente, se avalia a ci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"justificado\">Nesse sentido, a avalia\u00e7\u00e3o deve ter como eixos estruturantes as condi\u00e7\u00f5es para a promo\u00e7\u00e3o de culturas colaborativas, a cria\u00e7\u00e3o de um novo modelo de forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua no contexto escolar e acad\u00eamico; e a aproxima\u00e7\u00e3o da sociedade do \u201cmundo cient\u00edfico\u201d \u2013 permitindo a retroalimenta\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito cr\u00edtico tanto dentro quanto fora dos muros da universidade, garantindo que a adapta\u00e7\u00e3o a novos contextos de trabalho e a produ\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica estejam a servi\u00e7o dos interesses da pr\u00f3pria sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: APUB<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos anos, a avalia\u00e7\u00e3o acad\u00eamica tem passado por um processo profundo de transforma\u00e7\u00e3o \u2013 que visa, sobretudo, responder ao aprofundamento da l\u00f3gica neoliberal na sociedade \u2013 tendo como foco a avalia\u00e7\u00e3o \u201cprodutivista\u201d, ou seja, baseada na quantidade.&nbsp; Segundo o pesquisador da USP Marcos Barbosa de Oliveira, esse processo de mercantiliza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia \u00e9 o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":40550,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[760,530,146],"tags":[],"class_list":["post-40549","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-comunicacao","category-destaques-1","category-latest-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.apub.org.br\/siteantigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40549","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.apub.org.br\/siteantigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.apub.org.br\/siteantigo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apub.org.br\/siteantigo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apub.org.br\/siteantigo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40549"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.apub.org.br\/siteantigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40549\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40552,"href":"https:\/\/www.apub.org.br\/siteantigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40549\/revisions\/40552"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apub.org.br\/siteantigo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/40550"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.apub.org.br\/siteantigo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40549"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apub.org.br\/siteantigo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40549"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apub.org.br\/siteantigo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40549"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}