{"id":35287,"date":"2021-08-12T12:54:04","date_gmt":"2021-08-12T12:54:04","guid":{"rendered":"http:\/\/apub.org.br\/?p=35287"},"modified":"2021-08-12T12:54:57","modified_gmt":"2021-08-12T12:54:57","slug":"pandemia-prova-que-e-preciso-ampliar-o-acesso-as-universidades-publicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apub.org.br\/siteantigo\/pandemia-prova-que-e-preciso-ampliar-o-acesso-as-universidades-publicas\/","title":{"rendered":"Pandemia prova que \u00e9 preciso ampliar o acesso \u00e0s universidades p\u00fablicas"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/apub.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/pandemia-prova-que-e-preciso-ampliar-o-acesso-as-universidades-publicas-1024x538.jpg\" alt=\"Pandemia prova que \u00e9 preciso ampliar o acesso \u00e0s universidades p\u00fablicas\" class=\"wp-image-35288\" width=\"1050\" height=\"551\" srcset=\"https:\/\/www.apub.org.br\/siteantigo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/pandemia-prova-que-e-preciso-ampliar-o-acesso-as-universidades-publicas-1024x538.jpg 1024w, https:\/\/www.apub.org.br\/siteantigo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/pandemia-prova-que-e-preciso-ampliar-o-acesso-as-universidades-publicas-300x158.jpg 300w, https:\/\/www.apub.org.br\/siteantigo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/pandemia-prova-que-e-preciso-ampliar-o-acesso-as-universidades-publicas-768x403.jpg 768w, https:\/\/www.apub.org.br\/siteantigo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/pandemia-prova-que-e-preciso-ampliar-o-acesso-as-universidades-publicas.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 1050px) 100vw, 1050px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A pandemia do novo Coronav\u00edrus trouxe \u00e0 tona, entre suas v\u00e1rias facetas, o aprofundamento das desigualdades econ\u00f4micas e sociais. Os n\u00fameros n\u00e3o mentem: em 2020, o mundo terminou com 56 milh\u00f5es de pessoas com riqueza superior a US$ 1 milh\u00e3o, aumento de 10% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas um estudo do banco Credit Suisse revela que, no Brasil, o n\u00famero de ricos caiu. Por outro lado, a desigualdade aumentou.<\/p>\n\n\n\n<p>Por aqui, segundo o documento, 315 mil pessoas acumulavam mais de US$ 1 milh\u00e3o em 2019. J\u00e1 em 2020, esse n\u00famero caiu para 207 mil. Uma redu\u00e7\u00e3o de 34%. A justificativa para a queda teria sido a deprecia\u00e7\u00e3o da moeda brasileira (o d\u00f3lar vem disparando desde o come\u00e7o do governo Bolsonaro).<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00edndice de Gini do Brasil (indicador que mede o grau de concentra\u00e7\u00e3o de renda) alcan\u00e7ou 89 no fim de 2020. Quanto mais pr\u00f3ximo de 100, maior a desigualdade. Em 2010, o \u00edndice era de 82,2.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, as pessoas mais privilegiadas do Brasil (1% da popula\u00e7\u00e3o) det\u00eam 49,6% da riqueza do pa\u00eds, contra 44,2% no ano 2000 e 40,5% em 2010.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso significa que h\u00e1 mais riquezas nas m\u00e3os de menos pessoas. Esse aumento da concentra\u00e7\u00e3o mostra que a pandemia atingiu as camadas menos privilegiadas, enquanto os mais ricos aumentaram a sua fortuna.<\/p>\n\n\n\n<p>Para alguns, a pandemia est\u00e1 sendo muito lucrativa.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Inadimpl\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Esse efeito, potencializado pela pandemia, refletiu na educa\u00e7\u00e3o. Dados da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes) revelam que a inadimpl\u00eancia no ensino superior subiu 75% entre abril e maio do ano passado. Projetado, isso poderia representar o abandono de 42% dos estudantes das institui\u00e7\u00f5es privadas em um futuro pr\u00f3ximo.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora seja a pior, a pandemia n\u00e3o \u00e9 a primeira grande crise do s\u00e9culo.<\/p>\n\n\n\n<p>A crise econ\u00f4mica que se espalhou pelo mundo a partir dos problemas do sistema financeiro dos Estados Unidos, em 2008 (mas que afetou bem menos o Brasil, que estava vivendo o maior crescimento econ\u00f4mico em d\u00e9cadas) mostrou que a falta de pol\u00edticas p\u00fablicas, em alguns pa\u00edses, coloca em risco a subsist\u00eancia das pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por l\u00e1, praticamente n\u00e3o existe gratuidade no ensino superior (mesmo as universidades p\u00fablicas cobram anuidade), e mais de 3 milh\u00f5es de pessoas possuem d\u00edvidas estudantis superiores a US$ 100 mil (quase R$ 500 mil, em cota\u00e7\u00e3o do come\u00e7o de julho de 2021). Entre 20 e 25% dos norte-americanos com mais de 50 anos t\u00eam pend\u00eancias por causa de financiamentos educacionais. O quadro, que j\u00e1 era cr\u00edtico, piorou ainda mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Tanto a situa\u00e7\u00e3o dos brasileiros inadimplentes como o exemplo dos Estado Unidos nos mostram a necessidade de nosso pa\u00eds ampliar o investimento para fortalecer as universidades p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p>A import\u00e2ncia delas para a sociedade \u00e9 indiscut\u00edvel. As universidades e os institutos federais constituem o maior sistema de forma\u00e7\u00e3o de recursos humanos, produ\u00e7\u00e3o de conhecimento, desenvolvimento tecnol\u00f3gico, presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os \u00e0 sociedade e promo\u00e7\u00e3o da cidadania do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Junto com as universidades estaduais, elas respondem por mais da metade dos cursos e dos alunos de mestrado e doutorado do Brasil (embora sejam apenas 11,58% do total de institui\u00e7\u00f5es) e produzem cerca de 90% da ci\u00eancia nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, t\u00eam um papel fundamental na inclus\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es desfavorecidas. Um estudo da Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Dirigentes das Institui\u00e7\u00f5es Federais de Ensino Superior (Andifes) mostrou que 66,19% dos estudantes de universidades e dos institutos federais t\u00eam origem em fam\u00edlias com renda m\u00e9dia de 1,5 sal\u00e1rio-m\u00ednimo.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vagas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A falta de vagas no sistema p\u00fablico reflete em v\u00e1rios outros problemas. Al\u00e9m das dificuldades que muitos estudantes t\u00eam para arcar com os custos de uma institui\u00e7\u00e3o privada de ensino, muitas operam sem garantir uma forma\u00e7\u00e3o de qualidade. Al\u00e9m disso, h\u00e1 muitos casos de estudantes que n\u00e3o conseguiram sequer se formar porque estudavam em institui\u00e7\u00f5es que fecharam as portas, outras promoveram demiss\u00e3o em massa de professores ou reduziram sal\u00e1rios e carga hor\u00e1ria e n\u00e3o conseguem ofertar as disciplinas. Fora os casos de cobran\u00e7as indevidas ou perdas repentinas de descontos e bolsas do Fies e Prouni.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, a amplia\u00e7\u00e3o do n\u00famero de vagas nas universidades p\u00fablicas \u00e9 uma necessidade urgente.<\/p>\n\n\n\n<p>Com um n\u00famero reduzido de oportunidades, a possibilidade de um jovem que trilhou o estudo p\u00fablico desde a base \u00e9 muito pequena. Ainda que a pol\u00edtica de cotas traga um alento a essa situa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 o suficiente.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem a possibilidade de ingressar na universidade p\u00fablica e sem condi\u00e7\u00f5es de pagar uma particular, o jovem das camadas menos abastadas do pa\u00eds fica em uma sinuca de bico: ou enfrenta o mercado do jeito que d\u00e1 na tentativa de bancar um estudo particular, ou desiste de estudar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda h\u00e1 os casos em que o jovem n\u00e3o tem sa\u00edda: precisa trabalhar para sobreviver e ajudar a fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>A educa\u00e7\u00e3o de qualidade, gratuita e universal \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma necessidade para a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade cada vez mais justa e menos desigual.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: APUB<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pandemia do novo Coronav\u00edrus trouxe \u00e0 tona, entre suas v\u00e1rias facetas, o aprofundamento das desigualdades econ\u00f4micas e sociais. 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