{"id":30771,"date":"2019-11-08T19:25:27","date_gmt":"2019-11-08T19:25:27","guid":{"rendered":"http:\/\/apub.org.br\/?p=30771"},"modified":"2019-11-08T19:25:29","modified_gmt":"2019-11-08T19:25:29","slug":"diferentes-perspectivas-da-violencia-e-suas-relacoes-com-a-educacao-em-pauta-no-iii-encontro-nacional-de-direitos-humanos-do-proifes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apub.org.br\/siteantigo\/diferentes-perspectivas-da-violencia-e-suas-relacoes-com-a-educacao-em-pauta-no-iii-encontro-nacional-de-direitos-humanos-do-proifes\/","title":{"rendered":"Diferentes perspectivas da viol\u00eancia e suas rela\u00e7\u00f5es com a educa\u00e7\u00e3o em pauta no III Encontro Nacional de Direitos Humanos do PROIFES"},"content":{"rendered":"\n<p>Pensar as diferentes express\u00f5es e conceitos de viol\u00eancia na sociedade e na \u00e1rea de Educa\u00e7\u00e3o, bem como as estrat\u00e9gias que podem ser empregadas para a sua supera\u00e7\u00e3o foi o desafio abordado na mesa \u201cContrapontos no enfrentamento das viol\u00eancias na educa\u00e7\u00e3o\u201d, no III Encontro Nacional de Direitos Humanos do PROIFES-Federa\u00e7\u00e3o, nesta sexta-feira, 8, no audit\u00f3rio da Escola de Engenharia da UFG, em Goi\u00e1s. A mesa foi coordenada pela professora L\u00edvia Cruz (SINDIEDUTEC) e contou com as exposi\u00e7\u00f5es do professor Oswaldo Negr\u00e3o (UFRN\/ADURN Sindicato) e das professoras Crislei Oliveira Cust\u00f3dio (USP) e Miriam F\u00e1bia Alves (UFG). Ao trazer diferentes entradas no tema proposto, as falas evidenciaram a complexidade do debate, mas mantiveram a unidade em torno da defesa da diversidade e da multiplicidade de vozes na educa\u00e7\u00e3o e na sociedade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.proifes.org.br\/dados\/editor\/image\/jhjhj.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Crislei: \u201cA ideia de Direitos Humanos est\u00e1 em disputa\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Professora e membro do programa \u201cRespeitar \u00e9 Preciso\u201d, que atua na forma\u00e7\u00e3o de professores em Educa\u00e7\u00e3o e Direitos Humanos, Crislei Cust\u00f3dio trouxe uma reflex\u00e3o sobre a viol\u00eancia como express\u00e3o de uma l\u00f3gica policial \u2013 no sentido empregado pelo fil\u00f3sofo Jacques Ranci\u00e8re. A pol\u00edcia, ali, se op\u00f5e \u00e0 pol\u00edtica, como um conjunto de for\u00e7as que busca \u201ca manuten\u00e7\u00e3o de uma geografia de distribui\u00e7\u00e3o de lugares sociais e de poder\u201d. Ela explica que h\u00e1 uma disputa em torno da ideia de Direitos Humanos, tocada por setores reacion\u00e1rios da sociedade, a partir dos quais, emerge uma certa ideia de \u201cfam\u00edlia\u201d e um vi\u00e9s privatizante da educa\u00e7\u00e3o capazes de articular pautas pol\u00edticas, da vida social e uma disputa em torno de moralidades. O vi\u00e9s privatizante, ressaltou a professora, n\u00e3o se restringe \u00e0 quest\u00e3o econ\u00f4mica, \u00e9 uma compreens\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o como uma esfera regida por interesses privados \u2013 como os interesses da \u201cfam\u00edlia tradicional\u201d, do qual o projeto Escola Sem Partido \u00e9 um exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao abordar o conceito de viol\u00eancia, Crislei pincelou a defini\u00e7\u00e3o de Hannah Arendt e como ela diferencia a ideia de viol\u00eancia da ideia de poder. \u201cEla diz no [livro]&nbsp;<em>Sobre a Viol\u00eancia<\/em>&nbsp;que poder e viol\u00eancia s\u00e3o opostos, onde um domina absolutamente o outro est\u00e1 ausente\u201d. E, onde h\u00e1 viol\u00eancia n\u00e3o h\u00e1 tamb\u00e9m pol\u00edtica ou democracia, pois impera a repress\u00e3o do dissenso. Nesse sentido, num contexto no qual avan\u00e7os de movimentos sociais e pol\u00edticas progressistas que permitiram a emerg\u00eancia de novas vozes na esfera p\u00fablica, observa-se uma resposta policial que tenta silenci\u00e1-las. \u201cAssim, essa ideia de fam\u00edlia e essa privatiza\u00e7\u00e3o do que \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o tentam silenciar vozes dissonantes, promovendo o apagamento e a inviabiliza\u00e7\u00e3o\u201d, disse a professora. Essa tentativa \u00e9 tamb\u00e9m uma forma de viol\u00eancia, numa din\u00e2mica que procura eliminar a no\u00e7\u00e3o de p\u00fablico como aquilo que \u00e9 afeito aos valores democr\u00e1ticas e \u00e0 pluralidade de vozes. Ao final de sua fala, Crislei defendeu a constru\u00e7\u00e3o de uma nova \u00e9tica, atravessada pelo reconhecimento dos diferentes sujeitos pol\u00edticos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.proifes.org.br\/dados\/editor\/image\/lkjlk.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Oswaldo: \u201c\u00c9 necess\u00e1rio enfrentar a naturaliza\u00e7\u00e3o dos atos violentos\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O professor Oswaldo Negr\u00e3o, da UFRN e membro do Observat\u00f3rio das Viol\u00eancias do Rio Grande do Norte, apresentou um panorama de dados e estat\u00edsticas de atos de viol\u00eancia e do desmonte de pol\u00edticas p\u00fablicas que poderiam mitig\u00e1-las. Ele apontou que o Brasil possui taxas de mortes violentas equivalentes a um pa\u00eds em guerra e denunciou o sub-financiamento progressivo das pol\u00edticas de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a p\u00fablica. Essa desestrutura\u00e7\u00e3o das redes de prote\u00e7\u00e3o do Estado n\u00e3o \u00e9 uma ideia nova \u2013 estava presente mesmo antes do golpe de 2016 \u2013 em programas como \u201cPonte para o Futuro\u201d, mas est\u00e1 sendo aprofundada e confirmada no governo atual, a exemplo das recentes propostas de Reforma Administrativa apresentadas pelo Ministro Paulo Guedes. \u201cComo estruturar pol\u00edticas p\u00fablicas que repercutam na qualidade de vida da popula\u00e7\u00e3o se a gente n\u00e3o tem garantias b\u00e1sicas para o seu financiamento?\u201d, questionou. Essa qualidade vida, com acesso a educa\u00e7\u00e3o, moradia, alimenta\u00e7\u00e3o, emprego e renda s\u00e3o garantias presentes na Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos Humanos e na Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, e n\u00e3o poderiam ser dissociadas. \u201cMas defender a Constitui\u00e7\u00e3o hoje virou algo subversivo\u201d, disse Oswaldo. \u201cE, enquanto isso, 38% da popula\u00e7\u00e3o do Rio Grande do Norte vem subsistindo com uma renda m\u00e9dia de 14 reais por dia\u201d. Al\u00e9m da quest\u00e3o da desigualdade e da pobreza, as taxas de evas\u00e3o escolar e o modelo prisional de encarceramento em massa tamb\u00e9m s\u00e3o pontos fundamentais no debate sobre a viol\u00eancia, assim como as viol\u00eancias simb\u00f3licas, que fazem parte de uma cultura que termina por naturalizar a agress\u00e3o. \u201cPrecisamos pensar e agir, a\u00e7\u00f5es que sejam estruturantes para enfrentar a naturaliza\u00e7\u00e3o dos atos violentos\u201d, defendeu.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.proifes.org.br\/dados\/editor\/image\/jhgj.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Mirian: \u201cPrecisamos questionar qual conceito de seguran\u00e7a defendemos para a sociedade\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A crescente militariza\u00e7\u00e3o das escolas p\u00fablicas, defendida pelo governo atual, assim como por parte significativa da popula\u00e7\u00e3o \u2013 e at\u00e9 por alguns profissionais da educa\u00e7\u00e3o \u2013 como resposta \u00e0 qualidade educacional insuficiente e ambiente violento dessas institui\u00e7\u00f5es foi o aspecto destacado pela professora Mirian Alves, da Universidade Federal de Goi\u00e1s no debate. Ela resgatou a experi\u00eancia do Estado de Goi\u00e1s, cujo processo de militariza\u00e7\u00e3o de escolas se iniciou ainda no final da d\u00e9cada de 1990 e que agora se expande para o resto do pa\u00eds, como uma pol\u00edtica incentivada pelo governo federal. Ela apontou que essa tend\u00eancia de militarizar como resposta a uma sociedade violenta precisa ser problematizada e questionou: \u201ca militariza\u00e7\u00e3o responde a que projeto de forma\u00e7\u00e3o e de seguran\u00e7a p\u00fablica?\u201d. Para a professora, militarizar aprofunda a deslegitima\u00e7\u00e3o da escola p\u00fablica como espa\u00e7o formador e mina o direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o de qualidade, uma vez que, 84% da popula\u00e7\u00e3o que depende da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica seria dividida entre uma minoria que teria acesso a uma escola militarizada \u201cde qualidade\u201d, e a maior parte que continuaria \u00e0 margem, num sistema de ensino cada vez mais precarizado tornado \u201cainda mais violenta a exclus\u00e3o\u201d. Ainda, o modelo militarizado instaura uma disciplina padronizada n\u00e3o permitindo a manifesta\u00e7\u00e3o das identidades dos e das estudantes, justamente num momento importante de forma\u00e7\u00e3o, e minando sua autonomia e capacidade de di\u00e1logo. Para professores e professoras, a quest\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 problem\u00e1tica, pois eles estariam alijados da gest\u00e3o da escola, tamb\u00e9m submetidos \u00e0 disciplina militar. \u201cSe a militariza\u00e7\u00e3o tem sido apontada como resposta \u00e0 viol\u00eancia e se a seguran\u00e7a \u00e9 um direito, precisamos questionar qual o conceito de seguran\u00e7a que defendemos para a sociedade. E qual a aproxima\u00e7\u00e3o de uma determinada no\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a e de controle social dos corpos\u201d, ressaltou a professora e defendeu uma \u201cescola sem medo e paz com o direito ao exerc\u00edcio da liberdade e da diversidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Fonte: PROIFES-Federa\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pensar as diferentes express\u00f5es e conceitos de viol\u00eancia na sociedade e na \u00e1rea de Educa\u00e7\u00e3o, bem como as estrat\u00e9gias que podem ser empregadas para a sua supera\u00e7\u00e3o foi o desafio abordado na mesa \u201cContrapontos no enfrentamento das viol\u00eancias na educa\u00e7\u00e3o\u201d, no III Encontro Nacional de Direitos Humanos do PROIFES-Federa\u00e7\u00e3o, nesta sexta-feira, 8, no audit\u00f3rio da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":30772,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[530,142,146],"tags":[],"class_list":["post-30771","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques-1","category-proifes-2","category-latest-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.apub.org.br\/siteantigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30771","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.apub.org.br\/siteantigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.apub.org.br\/siteantigo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apub.org.br\/siteantigo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apub.org.br\/siteantigo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30771"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.apub.org.br\/siteantigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30771\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apub.org.br\/siteantigo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/30772"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.apub.org.br\/siteantigo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30771"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apub.org.br\/siteantigo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30771"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apub.org.br\/siteantigo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30771"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}