{"id":24766,"date":"2018-07-12T21:04:16","date_gmt":"2018-07-12T21:04:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.apub.org.br\/?p=24766"},"modified":"2018-07-13T14:40:39","modified_gmt":"2018-07-13T14:40:39","slug":"ciclo-de-debates-da-apub-pauta-a-interseccionalidade-no-movimento-docente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apub.org.br\/siteantigo\/ciclo-de-debates-da-apub-pauta-a-interseccionalidade-no-movimento-docente\/","title":{"rendered":"Ciclo de debates da Apub pauta a interseccionalidade no movimento docente"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Ontem (11), em mais uma edi\u00e7\u00e3o do Ciclo de debates, que a Apub realiza em prepara\u00e7\u00e3o para seu I Congresso Docente e tamb\u00e9m para o XIV Encontro Nacional do PROIFES, o tema trazido \u00e0 pauta foi a quest\u00e3o da interseccionalidade e movimentos sociais, em especial, o movimento sindical docente. Foram convidados para o debate o professor da Universidade da Integra\u00e7\u00e3o Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), Cl\u00e1udio Andr\u00e9 de Souza e a professora Edilza Sotero, da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFBA. A presidenta da Apub, Luciene Fernandes coordenou a mesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.apub.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/IMG_5248red.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-24773\" src=\"http:\/\/www.apub.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/IMG_5248red.jpg\" alt=\"IMG_5248red\" width=\"950\" height=\"633\" srcset=\"https:\/\/www.apub.org.br\/siteantigo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/IMG_5248red.jpg 950w, https:\/\/www.apub.org.br\/siteantigo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/IMG_5248red-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.apub.org.br\/siteantigo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/IMG_5248red-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 950px) 100vw, 950px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apontando alguns questionamentos que comp\u00f5em a sua \u00e1rea de pesquisa \u2013 justamente a quest\u00e3o da democracia, movimentos sociais, representa\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u2013 o professor Cl\u00e1udio Andr\u00e9 chamou a aten\u00e7\u00e3o para a exist\u00eancia de projetos em disputa na sociedade e o papel estrat\u00e9gico dos movimentos nesse contexto: \u201cAo pensar os movimentos sociais de uma maneira geral, a gente v\u00ea que n\u00e3o d\u00e1 para andar para tr\u00e1s\u201d, disse. \u201cA gente vive um cen\u00e1rio de novos atores que est\u00e3o entrando em cena\u201d. O professor destacou tamb\u00e9m que esses movimentos t\u00eam din\u00e2micas pr\u00f3prias que nem sempre s\u00e3o evidentes para o conjunto da sociedade. Para ele, muitas vezes, existe a impress\u00e3o que a milit\u00e2ncia est\u00e1 desmobilizada, quando, na realidade, o que existe \u00e9 a reorganiza\u00e7\u00e3o de um novo fluxo. Como exemplo, ele citou o movimento estudantil da UFBA que, em sua hist\u00f3ria, tem uma participa\u00e7\u00e3o ativa na defesa da democracia, mas que, com o tempo, foi se voltando mais para quest\u00f5es internas da universidade: \u201chouve um descolamento de repert\u00f3rio. O movimento deixa de estar em confronto aberto nas ruas (&#8230;) e passa, sobretudo a se mobilizar para dentro da universidade\u201d. O professor acredita que o momento \u00e9 de reordena\u00e7\u00e3o de projetos pol\u00edticos \u201ce a gente n\u00e3o pode deixar de considerar esse trip\u00e9 de g\u00eanero, ra\u00e7a e sexualidades e suas interseccionalidades e, ao mesmo, tempo, a gente percebe que, no sistema pol\u00edtico a gente n\u00e3o consegue alcan\u00e7ar a representatividade desses projetos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.apub.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/IMG_5267red.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-24774\" src=\"http:\/\/www.apub.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/IMG_5267red.jpg\" alt=\"IMG_5267red\" width=\"950\" height=\"633\" srcset=\"https:\/\/www.apub.org.br\/siteantigo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/IMG_5267red.jpg 950w, https:\/\/www.apub.org.br\/siteantigo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/IMG_5267red-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.apub.org.br\/siteantigo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/IMG_5267red-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 950px) 100vw, 950px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A professora Edilza apresentou uma perspectiva hist\u00f3rica sobre o conceito de interseccionalidade e suas aplica\u00e7\u00f5es, especialmente como ferramenta metodol\u00f3gica para compreens\u00e3o e an\u00e1lise da sociedade, considerando como m\u00faltiplas opress\u00f5es se configuram. \u201cO pensamento interseccional pode ser entendido dentro desses processos de produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o de desigualdades. O emprego desse conceito abre espa\u00e7o para o desenvolvimento de perspectivas que atentem para m\u00faltiplas experi\u00eancias pensando contextos espec\u00edficos&#8221;. Para ela, o desafio que a interseccionalidade coloca \u00e9 pensar certos contextos a partir de lugares diferentes e como categorias ou marcadores sociais que parecem universais &#8211; por exemplo, a categoria &#8220;mulher&#8221; &#8211; escondem desigualdades. Referindo-se ao ambiente acad\u00eamico, a partir de dados que demonstravam que as mulheres eram a maioria das estudantes de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, ela chamou a aten\u00e7\u00e3o para o fato que, ao se considerar o marcador &#8220;ra\u00e7a&#8221;, fica evidente que as mulheres negras est\u00e3o exclu\u00eddas desse espa\u00e7o. E, s\u00e3o justamente as mulheres negras as principais respons\u00e1veis por conformar a ideia de interseccionalidade, no contexto do movimento feminista norte-americano. A professora citou o famoso discurso da ativista Sojourner Truth, &#8220;E eu n\u00e3o sou uma mulher?&#8221;, ainda no s\u00e9culo XIX como um exemplo de cr\u00edtica a um movimento que, embora pretendesse englobar todas as mulheres, tinha, na g\u00eanese de suas pautas, as necessidades das mulheres brancas de classe m\u00e9dia. Outro exemplo trazido por Edilza foi de Claudia Jones, militante negra, feminista e comunista. Em sua atua\u00e7\u00e3o no partido comunista nos Estados Unidos e na Inglaterra, Jones defendia que a aten\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres negras era essencial para o pr\u00f3prio sucesso e massifica\u00e7\u00e3o das lutas, pois, muito al\u00e9m de serem simplesmente v\u00edtimas de opress\u00f5es, elas, em sua resist\u00eancia e atua\u00e7\u00e3o em suas comunidades, teriam valiosas contribui\u00e7\u00f5es ao pr\u00f3prio partido. Para a professora, esse questionamento \u00e9 essencial para a compreens\u00e3o do momento atual e para as possibilidades dos movimentos: &#8220;o sujeito da precariedade \u00e9 apenas um sujeito que deve ser integrado dentro da bandeira de luta de um dos movimentos sociais ou ele pode ser entendido como um agente da transforma\u00e7\u00e3o?&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ontem (11), em mais uma edi\u00e7\u00e3o do Ciclo de debates, que a Apub realiza em prepara\u00e7\u00e3o para seu I Congresso Docente e tamb\u00e9m para o XIV Encontro Nacional do PROIFES, o tema trazido \u00e0 pauta foi a quest\u00e3o da interseccionalidade e movimentos sociais, em especial, o movimento sindical docente. 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