Por que ter universidades públicas e gratuitas no Brasil?

Por que ter universidades públicas e gratuitas no Brasil?

No Brasil, as instituições públicas de ensino superior garantem ensino de altíssima qualidade (tanto na graduação como na pós-graduação), desenvolvem pesquisas para resolver problemas que afetam a sociedade, projetos de extensão voltados diretamente para as comunidades onde estão inseridas e possuem uma estrutura que abarca hospitais, escritórios modelo de assistência jurídica, consultórios sociais de psicologia, odontologia, medicina e de muitas outras áreas que fazem o atendimento direto à população.
São instituições essenciais para o desenvolvimento econômico e social do Brasil porque, além de formar profissionais altamente capacitados e com uma visão mais humanizada do mundo, ainda produzem quase 99% da ciência nacional.
E, como nosso país ainda é muito marcado por desigualdades históricas – apesar dos imensos avanços a partir dos anos 2000 (especialmente entre 2003 e 2016) – os institutos e as universidades públicas também são a porta de entrada para que milhares de estudantes, vindos de famílias de baixa renda, tenham condições de conquistar o acesso a uma vida melhor todos os anos.
A constituição da Universidade como nós conhecemos hoje a partir da tríade “ensino, pesquisa e extensão” tem origem na década de 1940, no governo Getúlio Vargas, que propunha a modernização do Estado como um indutor do desenvolvimento nacional e apostou no fortalecimento da produção de conhecimento para alcançar este objetivo.
Posteriormente, em1951, foram criados o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que são as duas principais instituições de fomento à pesquisa brasileira.
E foi justamente a partir dessa época que as universidades públicas se consolidaram como a principal fonte de produção científica e tecnológica do Brasil.

E porque ela surge já como pública e gratuita?
Grande parte dos países considerados mais desenvolvidos garantem o acesso gratuito ao ensino superior para seus cidadãos, além de custear as universidades para que seus docentes possam se tornar pesquisadores qualificados. Os ganhos são imensos com isso, porque esses países tornam-se produtores de conhecimento, em vez de importadores.
Esse é o mesmo princípio que rege as instituições públicas de ensino superior no Brasil, que recebem investimentos para que ciência, pesquisa e inovação sejam voltadas à busca de resultados que devem priorizar o bem comum.
Elas são gratuitas para que mais brasileiros tenham acesso à produção de conhecimento e possam, mais tarde, contribuir com o país. Por isso, investem na formação de seu corpo docente. 39% têm doutorado, a maioria trabalhando em tempo integral, com Dedicação Exclusiva.
Não é coincidência que as universidades públicas lideram todos os rankings de qualidade do Brasil e da América Latina.

E os que não querem as universidades públicas?
Desde a sua origem, esse modelo foi combatido por aqueles que sempre defenderam o Estado dependente dos interesses privados e a visão de que educação é mercadoria.
É um pensamento atrasado, que vai na contramão dos países mais desenvolvidos, onde a maior parte do dinheiro que financia a ciência é público. E isso vale até mesmo para as universidades que cobram mensalidades, como é o caso dos Estados Unidos, onde 60% do dinheiro para a pesquisa sai do Estado. O mesmo acontece na Europa, com 77% da ciência financiada pelos governos.
O atual governo brasileiro tem lado: aposta na desqualificação da universidade pública justamente por desejar a privatização do ensino e a mercantilização da produção do conhecimento científico.
É preciso, portanto, ser radical na defesa da universidade pública e gratuita no Brasil, para que não prevaleça um projeto que prioriza o lucro em vez do conhecimento, do futuro, do acesso universal à educação e, principalmente, das bases que possam garantir um futuro melhor para os brasileiros.

Fonte: APUB

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