Por que querem o fim da universidade pública?

Por que querem o fim da universidade pública?

O Brasil é comandado por pessoas que desconhecem a realidade do próprio país. O vice-presidente da República, Hamilton Mourão (PRTB), por exemplo, disse acreditar que 60% dos universitários teriam como pagar mensalidades. “Um pagamento que eles fizessem serviria para que mais alunos ingressassem no setor privado e, consequentemente, para que aumentássemos o percentual de jovens com ensino superior”, disse ele em uma aula magna de um conglomerado empresarial privado de ensino.


A declaração revela duas coisas:
1) As intenções de acabar com a universidade pública;
2) A prioridade do governo atual é atender aos interesses do mercado.


Mourão, além de desconsiderar a importância da universidade pública para a formação de milhares de jovens de baixa renda, também demonstra seu desconhecimento sobre quem está dentro da universidade pública. Pesquisa da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), divulgada em 2019, mostrou que 70,2% dos alunos pertencem a famílias com renda mensal de até 1,5 salário-mínimo por pessoa.
As tentativas institucionais de destruição das universidades federais começaram em 2019, com o programa “Future-se”, apresentado pelo então ministro da Educação Abraham Weintraub (considerado o pior de todos os tempos).
Com a proposta, o governo queria desresponsabilizar o Estado do sustento das instituições federais de ensino superior (IFES). Para o financiamento, propunha-se captação de recursos privados e contratos da gestão com Organizações Sociais (OS), que são entidades privadas. Nenhuma universidade aprovou a proposta e 43 das 63 universidades federais (68%) reprovaram formalmente, em seus conselhos superiores, o projeto do governo.

Juntar a fome com a vontade de comer
Além de atender aos interesses do mercado, acabar com as universidades públicas também serviria para a sobrevida de um projeto político que tem na ignorância sua sustentação.
O governo Bolsonaro quer pôr fim à educação superior pública em nosso país, pois não enxerga seu papel estratégico na melhoria da vida da população e nem como pilar estratégico para o desenvolvimento do país.
Portanto, não se trata apenas de uma questão financeira ou econômica.
Embora veja a educação como uma oportunidade de agradar determinados setores do empresariado que sustenta o governo e ainda fecha os olhos (e o nariz) para as atrocidades cometidas pelo presidente e por seus apoiadores, o objetivo maior dessas pessoas é asfixiar a autonomia universitária, o pensamento crítico e a produção científica. São pilares que não se curvam à lógica do mercado e, principalmente, ao projeto político ideológico que só se mantém com base na violência, na opressão, na interferência nas instituições, na falta de transparência e na compra de apoios políticos.
Não é por acaso que uma das propostas originais dentro da Reforma Administrativa daria ao presidente da República o poder (tirano) de extinguir órgãos públicos e autarquias com uma canetada. Entre elas, obviamente, estariam as universidades federais.
É por isso que tanto o governo como milícias digitais ligados à iniciativa privada disseminam discursos de ódio contra a universidade e contra a comunidade acadêmica. Inclusive, a tentativa de desmoralizar as universidades como justificativas para sua privatização e o esvaziamento da figura do Estado como seu mantenedor principal foram sempre um fio condutor das falas de todos os ministros da Educação do atual governo.
É que tanto o governo, como as “elites”, não desejam ver jovens capazes de analisar criticamente a realidade e enxergar como a sociedade funciona e como os poderes se distribuem entre certos setores privilegiados, que empenham tempo e recurso para deixar tudo como está. Para eles, a grande ameaça está nas gerações que desejam construir um mundo melhor, mais fraterno, solidário, onde a violência e a ganância não sejam os principais motores da sociedade.
Na verdade, eles temem o poder de transformação que surge a partir das universidades públicas.

Medo de quê?
Nos países considerados “mais desenvolvidos”, as universidades são respeitadas e valorizadas justamente porque a população compreende sua importância para os avanços da própria sociedade.
Já os ataques às comunidades acadêmicas e à ciência são típicos de países comandados por regimes fechados e autoritários. É este o caminho que o governo atual tentou construir desde o início.
Jair Bolsonaro e seus apoiadores tentam incentivar o uso de armas não porque acreditam que precisam combater a “criminalidade”, mas simplesmente porque têm medo de professores e de estudantes com livros.

Fonte: APUB

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