Novo Ensino Médio escancara as desigualdades entre o ensino dos ricos e o dos pobres

Apesar de todas as polêmicas e críticas, a reforma educacional iniciada em 2016, ainda no governo Michel Temer, tornou-se uma realidade perigosa em 2022. Já em vigor, o Novo Ensino Médio, projeto autoritário imposto pela Medida Provisória 746/2016 e depois transformado na Lei Federal 13.415/2017, tem tudo para ampliar o abismo de desigualdades entre as escolas públicas e privadas.

Em linhas gerais, os idealizadores defendem a ilusão de que o Novo Ensino Médio garantiria uma “jornada” de protagonismo dos alunos na produção de conhecimento. Ledo engano. De acordo com inúmeros especialistas, as propostas esbarram na falta de infraestrutura adequada, na insuficiência de recursos humanos nas instituições públicas e no pouco número de professores com a formação recomendada para ministrar as novas disciplinas.

Muitas escolas passarão por sérios problemas na diminuição da carga horária de disciplinas básicas por conta dessa possibilidade de flexibilidade. Em linhas gerais, essas mudanças podem comprometer o aprendizado mínimo das matérias relacionadas às demais áreas do conhecimento.

Vale lembrar que a proposta do Novo Ensino Médio é de que os conhecimentos básicos fiquem focados em Língua Portuguesa e Matemática. As demais matérias terão redução na carga horária obrigatória, ou seja, de acordo com a área de conhecimento escolhida pelo estudante.

Disciplinas como Filosofia e Sociologia ficarão em segundo plano (uma vez que incomodam os interesses das elites porque ajudam a despertar o pensamento crítico nos estudantes).

Novo Ensino Médio e seus inúmeros problemas

Apesar de uma maquiagem moderna e que sugere um upgrade na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o projeto do Novo Ensino Médio promove o esvaziamento da grade curricular. Os tão alardeados itinerários formativos, que causam a falsa sensação de que os estudantes terão poder de escolha, deixarão em grande destaque as discrepâncias de condições estruturais e econômicas entre as escolas privadas que atendem filhos das camadas mais ricas e aquelas que são públicas e possuem bem menos recursos.

Para esse problema ficar mais claro, é preciso entender que cada escola deverá escolher, pelo menos, 2 de 5 itinerários (são 4 de áreas de conhecimento – Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza ou Ciências Humanas e Sociais – e uma de formação técnica profissional). Dessa forma, é evidente que as instituições de ensino com mais aportes de recursos terão condições de disponibilizar mais itinerários aos estudantes. É aí que a desigualdade ganha ainda mais contornos.

Há ainda outros problemas graves na implantação do Novo Ensino Médio, como a ausência da carga horária necessária para fazer a integração entre as novas matérias propostas pela reforma. Na rede estadual de ensino, por exemplo, como lidar com a realidade da maioria dos professores que trabalha em mais de uma escola e não tem disponibilidade para trabalhar em conjunto com outros docentes? O Novo Ensino Médio levanta uma série de debates que não podem ser ignorados, afinal, se não há condições de aplicá-lo na prática, levando em conta principalmente a realidade das escolas públicas, pode se tornar um instrumento perigoso de reforço das diferenças sociais e ainda comprometer a formação completa de nossos estudantes.

Fonte: APUB

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