Sem investimentos, o Brasil deixa de formar novos pesquisadores

Cada vez mais sucateadas, a educação e a ciência, tão essenciais para o desenvolvimento do país, perdem potenciais talentos todos os dias. Prova disso é o desinteresse dos estudantes pelos programas de pós-graduação diante da falta de investimentos e de garantias que permitam a dedicação exclusiva às rotinas acadêmicas. Essa crise de recursos humanos coloca o Brasil em uma complicada situação de vulnerabilidade.

O descaso com o futuro da nossa nação chegou ao auge em 2022, quando, após nove anos de congelamento, as bolsas ofertadas pela Capes e o CNPq atingiram o menor valor real em 30 anos. Só para se ter uma ideia, em 1995, um bolsista de doutorado recebia R$ 1.073, à época, em torno de 10 salários-mínimos.

Em 2013, a mesma bolsa chegou a R$ 2,2 mil, ou seja, 4 salários-mínimos ou o suficiente para adquirir seis cestas básicas. Atualmente, estacionada nesse valor, não equivale a 2 salários-mínimos e permite a compra de, no máximo, 3 cestas básicas.

Chances de evasão

O desmonte promovido pelo Governo Federal provocou uma fuga da academia e a situação pode se agravar. O Instituto Federal da Bahia (IFBA) e a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) já se pronunciaram afirmando que, caso o bloqueio do MEC se mantenha, devem suspender o funcionamento em setembro.

O bloqueio do chamado orçamento discricionário, fundamental para assegurar contas básicas, como água e energia, além de garantir bolsas de monitoria, de pesquisas acadêmicas e de assistência estudantil, representam, na Universidade Federal da Bahia (UFBA), cerca de R$ 26 milhões a menos para as suas atividades.

A situação cria um clima de incertezas para o segundo semestre de 2022, já que a instituição também corre o risco de fechar as portas. Há relatos, inclusive, de estudantes que não estão conseguindo nem sequer se alimentar por conta dos valores reduzidos dos benefícios, situação que deve ajudar a provocar uma onda gigantesca de evasão.

No caso da UFBA, a situação vem se agravando desde 2019, quando a instituição foi uma das primeiras a ter sofrer cortes orçamentários. Em 2020, a redução foi de 5% para as verbas de custeio na comparação com o orçamento de 2019. No ano passado, a redução foi de 18%. Em 2022, a Universidade Federal da Bahia voltou a ter o orçamento registrado em 2010, ou seja, completamente fora da realidade atual.

Sem incentivo para a formação de pesquisadores, o país segue rumo ao obscurantismo. A falta de estímulo à produção de conhecimento coloca o Brasil em desvantagem diante de outras nações, criando uma relação cada vez maior de dependência quanto aos trabalhos desenvolvidos em outros países.

Com o tempo, deixamos de ser produtores para nos tornarmos importadores de conhecimento.

Sem perspectivas, o Brasil promove uma lamentável “fuga de cérebros”. Sem apoio, pesquisadores altamente qualificados estão buscando oportunidades em outros países. Esse movimento coloca em risco o progresso do país, que deixa de dedicar atenção especial a áreas altamente estratégicas em detrimento de garantir, por exemplo, o desejo de reeleição do presidente por meio do desvio de verbas desses setores para outros considerados mais prioritários aos planos eleitoreiros do presidente.

Jair Bolsonaro deixará um legado de retrocessos, que colocam em risco conquistas importantes obtidas nas últimas décadas. Um desastre que trará consequências muito pesadas ao país e para toda a sociedade.

Isso precisa parar!

Fonte: APUB

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