Ministério da Educação: nomeação ideológica

Com a eleição de Jair Bolsonaro, já sabíamos o que nos esperava. Antes mesmo de tomar posse, a cada pronunciamento do presidente eleito e de manifestações de seus apoiadores, sentimos as garras do ódio, o menosprezo pela vida da população brasileira e as tentativas de censura que tomam conta do nosso cotidiano. Escola Sem Partido, Reforma da Previdência, excludente de ilicitude para policiais são exemplos de nossas preocupações.

Ontem, 22 de novembro, mais uma vez atacou frontalmente a educação pública ao anunciar o nome do seu futuro Ministro da Educação. Ricardo Vélez Rodriguez, filósofo e teólogo, professor emérito da Escola de Comando do Estado Maior do Exército, não tem experiência em administração pública e é pouco conhecido na política, principalmente entre os que debatem e vêm construindo as políticas para a educação brasileira. A nomeação é claramente a afirmação de uma posição ideológica do governo eleito e dos setores mais conservadores, em um alinhamento no que há de mais reacionário: exalta a Ditadura Militar, ameniza as violações cometidas no período, desdenha os direitos humanos e os avanços conquistados nos últimos anos, incluindo as discussões da educação para a diversidade. Constitui ainda grande ameaça à concepção da laicidade do Estado, sendo nome que agradou fundamentalmente aos integrantes da bancada evangélica.

Autor de alguns livros, entre ele “A Grande Mentira – Lula e o Patrimonialismo Petista” (Vide Editorial), Veléz escreveu texto criticando o MEC pela educação de gênero, a doutrinação de índole cientificista e fincada na ideologia marxista. Ele também é professor associado da UFJF, um testemunho talvez de que na Universidade cabe as mais diversas posições, inclusive as mais conservadoras.

Para a Apub, esta indicação faz do MEC um campo no qual travaremos a guerra cultural em defesa da Universidade, Democracia e verdade.

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