Governo corta gastos com pandemia, mas tenta forçar retorno às atividades presenciais na educação

O Governo Federal investiu no primeiro semestre de 2021 apenas 22% do que foi gasto em ações contra a pandemia de Covid-19 no mesmo período de 2020. Não por coincidência, os governistas têm redobrado esforços na defesa intransigente da volta às atividades presenciais nas instituições de ensino, mesmo sem que toda a comunidade esteja imunizada.

Trata-se de uma estratégia para forçar um pretenso retorno “à normalidade” e poder destinar as verbas do enfrentamento à crise sanitária para outros fins, especialmente a seus aliados do “Centrão” (aquela massa política amórfica oportunista no Congresso Nacional) e ao sistema financeiro.

Entre janeiro e junho de 2020, o Executivo destinou R$ 217,7 bilhões para ações relativas à pandemia, enquanto no primeiro semestre de 2021 o montante caiu para R$ 49,3 bilhões.

A queda dos investimentos é conflitante com o avanço da pandemia, uma vez que ao final do primeiro semestre de 2020 foram contabilizadas 60 mil mortes por Covid-19, mas nos seis primeiros meses de 2021 esse número subiu para 306 mil vítimas.

Milton Ribeiro, o desconhecido ministro da Educação (a maioria das pessoas não se lembra que o cargo está ocupado), fez um pronunciamento no dia de 20 de julho defendendo a volta imediata das aulas presenciais em todo o país, algo contestado pelas categorias de trabalhadores do setor e por especialistas na área da saúde.

Entre janeiro e abril de 2021 o número de trabalhadores da educação mortos aumentou 128% em relação ao mesmo período do ano anterior, e a situação não ficará sob controle enquanto todos não estiverem efetivamente imunizados (com as duas doses de vacina ou com a de dose única).

Mesmo assim, até o final de junho, o governo não havia usado um centavo sequer dos mais de R$ 1,2 bilhão disponíveis para estruturar as escolas para a volta às atividades presenciais. No ensino superior federal não é diferente, já que o governo implementou cortes ainda mais severos nos orçamentos das instituições neste ano.

Para quem?

Bolsonaro nunca foi um defensor de investimentos no combate à pandemia. Tentou barrar o auxílio-emergencial, e foi derrotado pelo Congresso Nacional. Depois, tentou mantê-lo num valor muito baixo.

Faz propaganda contra vacinas e contra o isolamento social e estimula que as pessoas voltem ao trabalho e ponham suas vidas em risco.

Em 2021, com seu governo sofrendo inúmeras denúncias que vão de corrupção à genocídio, o presidente passou a lotear cada vez mais sua gestão aos partidos do Centrão. Chegou, inclusive, a implementar um “orçamento secreto” de cerca de R$ 3 bilhões em emendas para favorecer os congressistas de sua base.

Se o governo é generoso com seus aliados, é displicente com a população, que sofre não só os efeitos dramáticos da pandemia, mas também do desemprego e da fome. O montante destinado ao auxílio emergencial nos primeiros meses de 2021, por exemplo, foi quatro vezes menor do que o do ano anterior.

Covid-19 no primeiro semestre de 2021

Enquanto o governo cortava investimentos e participava de esquemas para compras superfaturadas de vacinas, a pandemia seguia ainda mais devastadora no primeiro semestre de 2021.

Apenas 14% da população foi totalmente imunizada nesse período, e não houve acréscimo de recursos para estados e municípios investirem na saúde.

Nesse contexto, as tentativas do Governo Federal para pressionar os trabalhadores da educação a voltarem às atividades presenciais (lembrando que essas atividades nunca pararam, continuaram durante toda a pandemia de forma remota) sem que haja plena segurança para todos é mais um passo na estratégia de ampliação do número de contágios e mortes.

Fonte: APUB

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