Crescimento da insegurança alimentar atinge também universitários

Crescimento da insegurança alimentar atinge também universitários

Por causa da criminosa gestão da pandemia por parte do governo de Jair Bolsonaro, que não cuidou da vida das pessoas nem preservou a economia, e também por conta das escolhas econômicas fracassadas de sua gestão, o Brasil voltou a conviver com a fome em larga escala.

Estima-se que 19,3 milhões de brasileiros não têm a garantia de que conseguirão ter ao menos uma refeição a cada 24h em 2021, critério para definir a “insegurança alimentar grave”, ou seja, a fome.

Ainda há 116,8 milhões de brasileiros caracterizados como sob “insegurança alimentar”, um estágio não tão agudo quanto à fome, mas no qual não há garantia de condições plenas de alimentação.

Com desemprego recorde, altos índices de inflação e custo de vida crescendo, a dificuldade de se alimentar cria novos obstáculos para que muitos estudantes consigam permanecer em suas escolas e universidades.

Metade dos estudantes de universidades federais é de baixa renda

Alguns estudos iniciais sobre o tema indicam que a piora nos índices econômicos e sociais, os cortes orçamentários nas universidades e a pandemia agravaram as condições de sobrevivência dos estudantes universitários.

Entre as dificuldades recentes enfrentadas estão o fechamento ou o encarecimento de restaurantes universitários e os cortes de verbas em políticas de assistência e permanência voltadas para estudantes de baixa renda.

Em 2021, o governo de Jair Bolsonaro reduziu 18,16% do orçamento discricionário das 69 universidades federais do país, o que representou um corte de cerca de R$ 1 bilhão.

Apenas em políticas de assistência estudantil, que garantem a permanência de alunos de baixa renda nas universidades, foram cortados R$ 177 milhões – o que atingiu cerca de 50% dos matriculados nas universidades federais que pertencem a esse estrato social.

Os cortes atingiram também o Plano Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), criado em 2010 e responsável por repassar verbas a instituições federais de ensino superior para garantir assistência aos universitários na moradia, alimentação, transporte e inclusão digital.

Segundo cálculo da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), o PNAES requer ao menos R$ 1,5 bilhão para atender sua demanda com qualidade.

No entanto, em 2021 o programa teve o seu menor orçamento nos últimos cinco anos, com seu valor executado diminuindo 15,78% e caindo de R$ 1 bilhão, em 2020, para R$ 874 milhões em 2021. Isso sem levar em conta a inflação, que foi a mais alta dos últimos anos (acima de 10% na virada de 2021 para 2022).

Fome entre universitários

Publicado em um periódico da Unicamp, o artigo “(In)segurança alimentar e nutricional de residentes em moradia estudantil durante a pandemia do covid-19” mostrou que 84,5% dos estudantes moradores do Conjunto Residencial da USP (CRUSP) entrevistados viviam em algum nível de insegurança alimentar

Nesse caso, a insegurança alimentar foi definida por ao menos uma resposta afirmativa a perguntas como:

– “nos últimos 3 meses, a comida acabou antes que você tivesse dinheiro para comprar mais?”

– “ficou sem dinheiro para ter uma alimentação saudável e variada?”

– “sentiu fome, mas não comeu porque não podia comprar comida suficiente?”.

A nutricionista Natália Caldas Martins também constatou, em sua dissertação de mestrado realizada na Universidade de Fortaleza (Unifor), que 84,3% de 428 universitários da rede pública da Bahia e do Ceará entrevistados apresentaram algum grau de insegurança alimentar na pandemia, com 35,7% apresentando grau leve, 23,6% moderado e 25% grave.

Dados da fome no Brasil

O Brasil havia deixado o Mapa da Fome, elaborado pela ONU, em 2014. A condição para um país constar desse levantamento é o índice de subalimentação igualar ou superar 5% de sua população. Venezuela, México, Índia, Afeganistão e praticamente todas as nações africanas apareceram no mapa de 2019.

Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), entre 2001 e 2017 o programa Bolsa Família reduziu a pobreza em 15% e a extrema pobreza em 25%, e ajudou a contribuir com o cenário de conquista até aquele momento.

Um ano antes, em 2013, o Brasil havia atingido o maior índice de segurança alimentar em sua história, com 77,1% da população classificada neste índice.

A situação mudou, sobretudo após o golpe parlamentar de 2016, que derrubou o governo da presidente Dilma Rousseff. Foi ano em que o índice de segurança alimentar caiu para 63,3%, e contribuiu para que o Brasil retornasse ao Mapa em sua próxima publicação. Já sob o governo Bolsonaro, a crise permanente tem levado cada vez mais brasileiros à miséria. Isso precisa parar.

Fonte: APUB

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on email
Email
Share on whatsapp
WhatsApp