Com deficit de pessoal, universidades sofrem (e o Brasil também)

O desmonte da universidade pública segue a todo vapor no Brasil. Após novos cortes de recursos do MEC e remanejamento de verbas para outras ações do Governo Federal com interesse meramente eleitoral, as instituições federais de ensino superior precisam lutar para continuar com as portas abertas.

Da falta de infraestrutura básica à impossibilidade de pagar contas básicas, como água e luz, percebe-se o descaso do governo Bolsonaro com a educação. Os números são alarmantes.

De acordo com informações de uma nota técnica do MEC enviada ao Ministério da Economia, a pasta calcula que, dos 8.373 cargos de docentes prometidos às instituições federais de ensino superior, apenas 4.644 foram autorizados. Com relação a servidores técnico-administrativos, para atuação em laboratórios e bibliotecas, a defasagem é ainda maior: há 7.273 vagas a serem preenchidas. Os dados foram obtidos com exclusividade pelo Estadão. 

Hoje, as universidades federais apresentam um deficit de ao menos 11 mil professores e servidores técnico-administrativos. Essas vagas estão relacionadas, sobretudo, às necessidades de graduações criadas na última década e também à expansão de outros cursos, fruto da ampliação promovida pelos governos entre 2003 e 2016.

O problema é que o Governo Federal não autorizou essas contratações, diferentemente do que ocorreu, por exemplo, com a Polícia Federal (PF) e Rodoviária Federal (PRF), que tiveram direito a um aumento de efetivo superior a 1,2 mil. Curiosamente, essas são duas carreiras em que o presidente acredita que tem mais apoio.

Diante da falta de pessoal, aulas são suspensas e apela-se para a convocação de docentes temporários, entre outras medidas. O funcionamento de laboratórios e outros espaços também fica comprometido.

De Norte a Sul do país, instituições são forçadas a buscar “alternativas” para cumprir com o calendário acadêmico. Na Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), por exemplo, a situação fez com que a reitora e pró-reitores acumulassem também aulas.

Na UFSB, apenas na Medicina faltam mais de 30 professores. A última liberação de contratação foi em 2017 e a instituição tem um deficit total de aproximadamente 300 profissionais.

Tal situação já coloca em risco a qualidade do ensino e projetos de pesquisa e de extensão.

Na Universidade Federal do Sul da Bahia, aulas práticas de atendimento ambulatorial, que deveriam ser realizadas em grupos menores, têm quase o dobro de acadêmicos devido à falta de professores.

Estatística negativa

Longe de cumprir o que foi estabelecido no Plano Nacional de Educação (PNE), de 2014, o Brasil retrocede em importantes avanços na área. A ideia é que, até 2024, 33% dos jovens do país, na faixa etária dos 18 aos 24 anos, estivessem matriculados no ensino superior.

De acordo com um levantamento da consultoria Educa Insights e da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes), essa meta só deverá ser atingida em 2040, ou seja, com 16 anos de atraso. Legado de Bolsonaro.

Nesse descompasso, caiu também o número de matrículas nas universidades federais. O SISU, uma das políticas de acesso a essas instituições, registrou queda de 60% no número de inscrições entre 2015 e 2021.

Entregue à própria sorte, o ensino superior brasileiro acumula perdas e desmotiva as novas gerações. Precisamos reverter esse quadro. O Brasil precisa seguir outro rumo, com urgência!

Fonte: APUB

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