Angela Davis fala de resistência e caminhos para a luta em evento na Reitoria da UFBA

O salão nobre da Reitoria ficou pequeno para receber Angela Davis, filósofa, ex-Pantera Negra, militante da luta anti-racista, que foi atentamente ouvida e euforicamente aplaudida por centenas de pessoas, em sua maioria jovens negras. Com o tema “Atravessando o tempo e construindo o futuro da luta contra o racismo”, a conferência fez parte do Julho das Pretas, organizado pelo Instituto Odara, Coletivo Angela Davis, Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher e relações de gênero – NEIM / UFBA e UFRB.

Em seu discurso, Davis falou da centralidade da luta feminista anti-racista descolonizada e descolonizadora para dar fim a um sistema fundado na desigualdade e exploração. Para ela, quando as mulheres negras, também indígenas e pobres de todo mundo, se movimentam em luta por transformação das suas vidas, necessariamente toda estrutura social se movimenta, porque são essas mulheres que sofrem as múltiplas opressões e estão na base de sustentação do sistema capitalista, heteropatriarcal e racista, como nomeou. Por isso, a ativista destacou a importância e o protagonismo do movimento das mulheres negras brasileiras para o rompimento desse sistema de dominação, trazendo a questão da interseccionalidade entre raça, classe e gênero. Ela citou algumas lideranças, como Luiza Bairros, Lélia Gonzalez e Mãe Stella de Oxóssi, ressaltando que o grande trunfo deste movimento é a coletividade em detrimento das práticas personalistas que elegem indivíduos ao redor do mundo.

Outro ponto importante de destaque é a necessidade de combater o extermínio da população negra e a abolir o sistema prisional, formas expressas do racismo institucional perpetrado pelo Estado.  Segundo afirmou, o sistema carcerário é contrário à luta do povo negro por liberdade e devemos, portanto, pensar formas de justiças alternativas a este. Angela Davis falou ainda da violência doméstica como parte da estrutura violenta alimentada pelo Estado; ainda, sobre o mito da democracia racial, disse que está totalmente exposto e este momento é propício para que as pautas do movimento de mulheres negras sejam assimiladas. E deixou um recado sobre isso: “Não queremos ser inclusas em uma sociedade racista, misógina e heteropatriarcal. Dizemos não à pobreza e não queremos ser contidas dentro de uma estrutura capitalista, que visa o lucro e não o ser humano”, fala que foi muito aplaudida.

Angela Davis abordou tantas questões fundamentais para construção dos planos de resistência e enfrentamento, mostrando mais uma vez, aos 73 anos, porque é inspiração e referência intelectual e de militância para tantas pessoas.

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