A EC95 e o descaso do governo Temer transformam o patrimônio Histórico e Cultural brasileiro em cinzas

As lamentáveis cenas do incêndio que consumiu grande parte da memória histórica do nosso país é uma triste metáfora de um país consumido pelas “chamas” da corrupção, do descaso e da irresponsabilidade com seu patrimônio histórico e cultural.

Os reflexos de uma política econômica perversa, cujo foco é impor um “ajuste fiscal” a qualquer custo, para satisfazer meramente a ambição do mercado financeiro, é capaz de produzir tragédias como a que culminou com a destruição do Museu Nacional do Rio de Janeiro.

A mais antiga instituição científica do Brasil,fundado em 1818, o Museu Nacional era considerado um dos maiores museus de antropologia e história natural das Américas. Infelizmente, praticamente todo o acervo de quase 20 milhões de itens foi perdido pela falta de compromisso do governo Temer, que não destinou o volume necessário de recursos para, pelo menos, custear as despesas com a conservação das instalações bicentenárias do museu.

Sem sombra de dúvidas, a aprovação da Emenda Constitucional (EC) 95, que congela os investimentos do governo federal nas áreas sociais, contribuiu sobremaneira para a tragédia que deixou literalmente nas cinzas grande parte da nossa História. Em razão deste malfadada Emenda 95, apenas 60% do total destinado ao museu foram repassados à Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, responsável pela administração do equipamento.

Em razão do exposto, os Sindicatos filiados à Federação dos Professores e Professoras de Instituições Federais de Ensino Superior e de Ensino Básico e Tecnológico – PROIFES-Federação vem a público repudiar de forma veemente o completo descaso do governo ilegítimo de Michel Temer com o Patrimônio Histórico e Cultural brasileiro.

É importante lembrar que, este (des)governo, ao assumir o poder, após o golpe jurídico-parlamentar, extinguiu – entre outros – os Ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação – MCTI e ainda o Ministério da Cultura, pasta que acabou sendo mantida após os protestos e manifestações de toda a classe artística e cultural.

Um governo que não reconhece e valoriza o seu patrimônio imaterial é um governo absolutamente dissociado do povo, autoritário na sua gênese, e insensível a relevância das tradições culturais e históricas do nosso povo.

Nós representantes do PROIFES-Federação dizemos NÃO à política excludente e neoliberal do governo Michel Temer, que permitiu a consignação de uma tragédia anunciada. O incêndio que consumiu o Museu Nacional do Rio de Janeiro representou a face sinistra desta política que privilegia os grandes interesses internacionais em detrimento do povo brasileiro.

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