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Texto do professor Joviniano Neto (FFCH/aposentado)

Foi anunciado o Ministro da Ciência e Tecnologia do governo Bolsonaro. Será o tenente-coronel aviador (reformado) Marcos Pontes. Tornou-se famoso e capitalizou a fama de ter sido o primeiro brasileiro a entrar em órbita, a bordo da nave Soyuz TMA-8, em 2006, durante o governo Lula.
O governo brasileiro pagou 10 milhões de dólares para incluí-lo na tripulação. Ele passou anos na Nasa nos EUA, treinando para poder entrar na referida tripulação. Na Nasa, não era cientista, não participou da construção da estação (Lucy), da plataforma nem do foguete de lançamento. Mas pode ter observado como funciona o sistema e a prioridade dada pelas potências ao desenvolvimento tecnológico.
O certo é que, após essa viagem, reformou-se e montou um “esquema empresarial” para capitalizar sua fama. Vende “travesseiros da Nasa” e na loja virtual, conexões espaciais, camisetas, livros de Marcos Pontes, bonés, chaveiros, pins, adesivos e bonecos “Marquinhos”.
Na agência Marcos Pontes, “Aventura para vida”, pode-se viajar. Na Marcos Pontes Treinaments Corporativo pode-se contratar palestras ou sua participação em eventos e campanhas publicitárias. Finalmente, algo que poderia ser considerado positivo: a Fundação Astronauta Marcos Pontes realiza “Arraiá Aéreo”, que usaria Ciência e Tecnologia para motivar jovens para educação. Enfim, a celebração que homenageia a tecnologia americana e russa.
A questão é se, ao se afastar da direção do seu complexo empresarial (exigência legal), o tenente-coronel aviador terá condições de realmente compreender e estimular a produção da ciência e tecnologia no Brasil. A propaganda de resultados é diferente da mobilização de recursos e duro trabalho para produzi-los. Nós, professores da universidades e instituições públicas, que produzimos a maior parte da ciência e tecnologia nacionais sabemos como é duro esse trabalho.

Foto: EBC