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A Confederação dos Trabalhadores da Educação da República Argentina (CTERA) e a Federação Nacional de Docentes Universitários (CONADU) participaram da jornada de Paro Nacional Docente e da marcha ao congresso argentino no dia 24 de outubro, em rejeição ao orçamento de ajuste do governo e contra a interferência do Fundo Monetário Internacional (FMI). CTERA e CONADU são afiliadas à Internacional da Educação América Latina (IEAL).

O Paro Nacional Docente teve um alto nível de participação. CTERA e CONADU marcharam junto a outras federações e movimentos sociais em rejeição ao projeto de Lei de Orçamento 2019, conduzido pela aliança Cambiemos na Câmara dos Deputados.

Paro Nacional Docente

CTERA e CONADU se concentraram em frente ao Ministério da Educação, onde realizaram um ato como parte da Frente Nacional Educativa. A jornada continuou com a mobilização massiva rumo ao Congresso argentino. A coluna dos sindicatos educativos se mobilizou para confluir com a CTA e as demais centrais de trabalhadores e movimentos sociais e políticos na rejeição contundente do orçamento de ajuste do Executivo argentino. À tarde, a pressão nas ruas que encheu a Praça dos Congressos até a Avenida 9 de Julio foi reprimida pela Polícia Federal e provocou prisões em massa.

“Hoje, milhares de docentes do país estão protagonizando um enorme ‘Paro’, para que fique claro a este ministro, ao governo e aos legisladores que vamos lutar, que não vamos a cruzar os braços. Precisamos de um orçamento que atenda as necessidades dos trabalhadores, dos aposentados, das crianças, dos jovens. Cada vez que for necessário, estaremos na rua”, declarou o Secretario Geral da CONADU, Carlos De Feo, no ato de abertura da jornada.

“Se votarem nesse orçamento, haverá mais luta, mais Paro e mais mobilização”, afirmou Sonia Alesso, Secretaria Geral de CTERA, ao final do ato em frente ao Ministério da Educação. “Decidimos não ao ajuste, não ao fechamento de nossas escolas”, continuou Alesso. “Este Governo insensível não respeita os docentes nem a educação, as trabalhadoras e trabalhadores da educação, não vamos para estes recortes. Há de acabar com esta política de saque, entrega e fome. Aqui não se termina nada, a luta continua”, concluiu Alesso.

Para baixo

Na matéria universitária, o Instituto de Estudos e Capacitação da CONADU elaborou um informe crítico sobre o orçamento de 2019 que mostra a consolidação da tendência de ajuste na educação e na universidade implantado desde a chegada da aliança Cambiemos ao governo.

Alguns pontos destacáveis do informe apontam que o projeto de lei para o ano 2019 supõe uma queda real do orçamento universitário de 15,9% em dois anos. Ademais, desaparecem as metas de bolsas para os estudantes de baixa renda e de carreiras prioritárias, e se reduz o orçamento e o número de pessoas beneficiárias do sistema de bolsas PROGRESAR: 35% de beneficiários a menos em relação a 2017 (ver “Ajuste e obscuridade no orçamento universitário. Informe IEC-CONADU sobre o Orçamento 2019”).

Repressão

CTERA e CONADU repudiaram a repressão policial ao final da mobilização:

“A Federação Nacional de Docentes Universitários repudia a repressão brutal da Polícia Federal, comandada por Patricia Bullrich, no marco da gigantesca mobilização popular em repudio ao orçamento de ajuste do FMI. A rejeição massiva ao projeto do governo, que foi confeccionado na medida dos interesses do FMI e daqueles que se beneficiam com a especulação financeira e a fuga de capital, tentando ser aplacado mediante a repressão como forma inevitável de consolidar o ajuste”.

“Desde CONADU exigimos o fim da repressão, a liberação dos manifestantes detidos e continuamos lutando junto ao povo argentino para frear o orçamento do FMI e das políticas de ajuste e dependência económica e política”, concluiu o comunicado da afiliada à IEAL.

“CTERA repudia a repressão brutal frente à manifestação massiva de organizações sindicais, sociais, corporações de ofício e políticas”, apontou uma nota assinada por Sonia Alesso e Roberto Baradel, Secretário Geral Adjunto da CTERA, que também exigiu a liberação das pessoas detidas.

Fonte: IEAL com informações de SUTEBA e CONADU