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Reitores de universidades públicas do Brasil e gestores do ensino superior da América Latina e Caribe participaram do Painel ‘A Educação Superior no Pós-CRES 2018’ nesta terça-feira, 25, no Centro Cultural da UFRGS. O objetivo do evento promovido pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), pela Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais (ABRUEM) e pelo Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (CONIF), com o apoio da UFRGS, foi debater os desafios colocados pela III Conferência Regional da Educação Superior (CRES 2018), realizada em Córdoba, Argentina, em junho.

A principal conclusão do painel foi reforçar que a declaração final da CRES 2018, um manifesto que aponta a Educação Superior como um bem público social, um direito humano e universal, e um dever dos Estados, seja refletido fielmente no plano de ação para a educação superior nos próximos dez anos, como proposta do continente para a Conferência Mundial de Educação que será realiza em Paris em 2019.

A IESALC/Unesco (instituto Internacional para a Educação Superior na América Latina e Caribe) está responsável pela articulação entre os países e os diferentes atores para a elaboração do plano. Mas, segundo o reitor da UFRGS, Rui Vicente Oppermann, ficou claro no evento, que os gestores brasileiros e também os estrangeiros estão preocupados com possíveis alterações na declaração final, o que poderia se refletir no plano de ação. “A declaração foi construída democraticamente, com a participação de milhares de pessoas, com muitas horas de trabalho, é portanto, um documento importantíssimo. Queremos que ele seja mantido integralmente porque foi construído com muito cuidado”.

O próprio coordenador da CRES 2018 e ex-reitor de Córdoba, Francisco Tamarit, se manifestou neste sentido, sugerindo que a participação construída na CRES se mantenha na elaboração do plano de ações. “O texto final é um texto que vocês (setores da educação superior do continente) falam o que fazer. O plano de ação tem que ser feito cooperativamente, com a participação de quem tem a responsabilidade, temos tempo de ser inclusivos como fomos até aqui.”

Nesse sentido, o painel resultou na Carta de Porto Alegre, documento que ainda será enviado às associações nacionais, IESALC e demais entidades latino-americanas, mas que se posiciona defendendo os princípios da CRES e a construção do plano de ações de forma democrática e participativa, representando o que foi a conferência.

“Nós precisamos participar desse plano para que possamos garantir que o que está no documento da CRES seja o condutor das políticas educacionais na América Latina e Caribe, tanto para as universidades como para os governos. Sem um plano de ações que seja construído de forma democrática, estaríamos perdendo todo o trabalho que a gente fez em Córdoba e ao longo do processo de construção do documento”, afirmou Oppermann.

Articulação

A CRES também redefiniu o ambiente de articulação dos sistemas educativos do continente. O Enlaces (Espaço Latino-americano e Caribenho de Educação Superior), instituído na II CRES, realizada em Cartagena de Índias, em 2008, foi defendido no painel. Para os reitores, o espaço deve ser fortalecido e, na opinião do diretor da ADUFRGS e do PROIFES-Federação, Eduardo Rolim, convidado como observador do evento, o Enlaces também deve ser ampliado.

“O painel também reafirmou o fortalecimento do Enlances como espaço de interação entre as universidades da América Latina e Caribe. A ideia é que este espaço seja fortalecido e ampliado com a entrada do movimento sindical, do movimento estudantil e de outros movimentos sociais”, o que refletiria com mais força o público e atores da educação superior no continente.

O PROIFES-Federação levou 28 pessoas para a CRES e participou dos sete eixos de debates e também da reunião que reinaugurou o espaço durante a conferência.

O Enlaces foi concebido para articular a integração dos sistemas educativos do continente, mas nunca conseguiu avançar nos objetivos estratégicos de forma a tornar mais compatíveis os sistemas do continente. Entre os focos estão programas de mobilidade acadêmica de estudantes e professores e reconhecimento mútuo de títulos e diplomas, o que facilita a troca de conhecimento entre os países. A ideia principal debatida durante o painel, é que o conhecimento produzido pelas universidades dialogue com problemas globais da região como violência, pobreza, discriminação, falta de sustentabilidade. Para Tamarit, “a América Latina tem boas pesquisas e trabalhos, mas temos que articular esse trabalho para que funcione como uma solução efetiva para os problemas da sociedade”.

Texto: Manoela Frade – Ascom ADUFRGS-Sindical

Foto: Gustavo Diehl/ UFRGS