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A Conferência Regional de Educação Superior (CRES) 2018 começou oficialmente nesta segunda-feira, 11, na cidade de Córdoba, na Argentina, reafirmando o compromisso da educação como ferramenta de transformação social. Esta é a terceira edição de CRES, evento que reúne representantes da comunidade acadêmica de quase 14 mil instituições de ensino superior da América Latina e Caribe.

O PROIFES-Federação, que está participando com uma delegação de 25 docentes, iniciou as atividades desta segunda marchando com centenas de estudantes, entidades sindicais, docentes e movimentos sociais pelas ruas do centro de Córdoba, em uma mobilização com cantos e palavras de ordem pela universidade gratuita, contra o neoliberalismo e as políticas de ajuste dos governos de Mauricio Macri e Michel Temer, na Argentina e Brasil, respectivamente.

Esta edição da CRES resgata e comemora os cem anos do Manifesto Liminar de 1918, documento que redimensionou a visão sobre a educação superior no século XX. O ato de abertura oficial contou com mais de três mil docentes, sindicalistas, pesquisasores, e representantes de governos e de entidades ligadas à educação no Orfeu Superdomo de Córdoba.

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O coordenador geral da CRES, Francisco Tamarit, iniciou as falas do evento  lembrando que a educação como um direito universal e compromisso público deve “trabalhar para acabar com a pobreza, nunca com as universidades”. Na sequência, Ramón Mestre, prefeito da cidade de Córdoba ressaltou a importância do manifesto de 1918 e destacou o espírito inovador do documento centenário.

Já Stefania Giannini, sub diretora geral de Educação da UNESCO frisou a educação como direito humano fundamental e inalienável, e a importância da CRES 2018 para colocar a educação superior no centro da agenda política dos governos. “Córdoba é o lugar perfeito para este encontro, o grito de Córdoba deu início a transformações que são necessárias até hoje”, afirmou Stefania.

A abertura da CRES contou ainda com apresentação de três espetáculos culturais com elementos musicais indígenas e autóctones de grupos ligados às universidades de Buenos Aires e de Córdoba, e se encerrou com a conferência do sociólogo Boaventura de Sousa Santos com o tema “ “Los dolores que quedan son las libertades que faltan. Para continuar y profundizar el Manifiesto de 1918”, título extraído do documento agora centenário, que remodelou as estruturas e orientações das universidades latino- americanas no início do século XX.

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Boaventura ressaltou em sua fala que as tentativas de desmonte da universidade pública fazem parte de “um monstro de três cabeças: o colonialismo, o capitalismo e o heteropatriarcado”, que atuam de maneira conjunta e unificada, enquanto a resistência atua de maneira fragmentada, e por isso enfraquecida para fazer o enfrentamento. “Da universidade se pode pensar como fazer e articular a resistência”, acrescentou o sociólogo português, que em seu discurso criticou duramente a mercantilização da educação e a condição colonizadora das universidades.

Para Boaventura, é necessária uma refundação da universidade em outras bases, para que esta seja um espaço de resistência, retomando o caminho iniciado pelos estudantes de 1918. “A universidade tem que ser refundada epistemologicamente. O inimigo da universidade não está fora dela, mas dentro, porque não entendemos a necessidade de articular, trazer para dentro da universidade outros saberes e conhecimentos”, afirmou, acrescentando que é necessário antes de tudo “descolonizar as universidades”.

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Fotos: CRES/Divulgação
Fonte: PROIFES-Federação