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Por Anaíra Lôbo

Ataques a docentes e estudantes por conta de seus campos de estudo apontam para perigoso levante fascista na universidade

O fascismo vem mostrando suas garras e avança rapidamente na busca do controle da sociedade brasileira. Retirar direitos básicos das parcelas mais vulneráveis e empobrecidas – sendo elas compostas por negras/os, mulheres e LGBTTs – é alimento para o fascismo. Tal como desmontar as políticas de equiparação racial, de combate à violência contra a mulher e dos direitos humanos como um todo. É também sintomático ter, no Congresso Nacional, projetos inescrupulosos como a PEC 181, que criminaliza a prática do aborto em todos os casos, incluso das vítimas de estupro; e a tentativa de legalização do porte de armas de fogo, que em parte, já deu os primeiros passos com a aprovação, na Comissão da Cidadania e Justiça do Senado, para moradores da zona rural. Claro que isso tudo não acontece sem resistência de quem vem lutando há tempos para conquistar direitos e equidade, e impedir que continue imperando o machismo, o racismo, a misoginia, as lgbttfobias e demais formas de discriminação e padronização social.

Nesse contexto de ação e reação que se insere o ato realizado, no dia 22 de novembro, na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA, pelo Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher e pelos Grupos de Pesquisa “História dos Partidos e Movimentos de Esquerda na Bahia”, “Representações sociais: arte, ciência e ideologia” e “Trabalho, precarização e resistências / CRH”. A manifestação surgiu como uma resposta às ameaças que docentes do Neim e estudantes sofreram por conta dos seus campos de pesquisa. As tentativas de intimidação expressam a ascensão conservadora, que tenta impor suas ideias pelo medo e querem fazer retroceder uma série de conquistas no âmbito teórico e prático dos direitos sociais e civis. “A gente vê que tem um crescente ataque ao campo de gênero em geral e o Neim é um alvo bastante óbvio, porque a gente tem o único Departamento de Gênero no Brasil, um programa de pós-graduação em estudos de gênero, sobre as mulheres e feminismo. Então a gente tem sido alvo, as nossas pesquisas e projetos de extensão. E os ataques são dos mais variados: vão de chacota a agressões verbais via redes sociais e ameaças”, explicou Maíra Kubík, professora do Núcleo.

A atividade representou uma articulação daqueles/as que defendem um projeto de universidade inclusiva, autônoma e gratuita; a plenária convergiu sobre a necessidade de uma frente ampla pela liberdade, pela diversidade e pela democracia como resposta à violência autoritária. Na ocasião, os presentes manifestaram solidariedade ao docente André Mayer da Universidade Federal de Ouro Preto, alvo de um inquérito movido pelo Ministério Público Federal por coordenar a pesquisa Liga Comunista – Núcleo de Estudos Marxistas. O caso assemelha-se ao do professor Marcos Sorrentino da USP que passa por processo de sindicância devido à realização, em abril desse ano, de oficina com o Movimento dos/as Trabalhadores/as Rurais Sem Terra (MST), durante a Jornada Universitária de Apoio à Reforma Agrária. Há de se reconhecer que o Projeto Escola Sem Partido já reverbera em ações diversas no país, desde o ensino básico ao superior. O PL objetiva, a partir do controle, perseguição e punição de professores e professoras, impedir uma educação crítica, inclusiva e com pluralidade de ideias; cabe o alerta que a formação de sujeitos que não questionam, não propõem e não respeitam a diversidade é um campo fértil para o autoritarismo.

A Apub participou do ato e tem acompanhado com preocupação o contexto de ameaças. A ouvidoria do sindicato, através do e-mail ouvidoria@apub.org.br está aberta para quem desejar denunciar qualquer tipo de intimidação ou violência e a Assessoria Jurídica está à disposição para orientar a respeito das providências legais.