70 mil mulheres da Marcha das Margaridas ocupam Brasília

Mulheres de todo país estão ocupando a capital federal, desde ontem (11), na Marcha das Margaridas, que traz o tema “Margaridas seguem em marcha por desenvolvimento sustentável com democracia, justiça, autonomia, igualdade e liberdade”. Na sua 5ª edição, a Marcha reúne, principalmente, trabalhadoras rurais, extrativistas, indígenas e quilombolas para exigir que o governo atenda às suas reivindicações, tais como: o acesso à terra e valorização da agroecologia; a defesa da soberania alimentar e nutricional; educação que não discrimine as mulheres; o combate à violência sexista; acesso à saúde; autonomia econômica, trabalho e renda; democracia e participação política das mulheres.

A abertura oficial do evento aconteceu ontem a noite, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, sem a cobertura dos grandes meios de comunicação conservadores do país, que também não puderam registrar a palavra de ordem “não haverá golpe”, entoada pelas manifestantes. Entre as entidades presentes, a Apub esteve representada pela presidente Claudia Miranda e pela professora Leopoldina Menezes (IME/UFBA).

Hoje, as mulheres seguem em marcha até a Esplanada dos Ministérios e às 15 horas, recebem do Governo Federal a resposta às suas demandas. O caderno de Pauta de Reivindicações, que já foi entregue, é resultado de rodadas de discussões coletivas promovidas pela Confederação Nacional de Trabalhadores Rurais (Contag), em parceria com a Marcha Mundial das Mulheres, Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), Movimento dos e das Trabalhadoras Rurais Sem Terra, Movimento Articulado de Mulheres da Amazônia (Mama), Movimento Interestadual de Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu, União Brasileira de Mulheres, entre tantas outras parceiras.

História

A escolha do nome Marcha das Margaridas e da data é uma homenagem à Margarida Maria Alves, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, na Paraíba. Ela foi assassinada em 12 de agosto de 1983, a mando de latifundiários da região. Por mais de dez anos à frente do sindicato, Margarida lutou pelo fim da violência no campo, por direitos trabalhistas como respeito aos horários de trabalho, carteira assinada, 13º salário, férias remuneradas. Margarida dizia que “É melhor morrer na luta do que morrer de fome.”

Realizada desde 2000, tem revelado grande capacidade de mobilização e organização. Pelo caráter formativo, de denúncia e pressão, mas também de proposição, diálogo e negociação política com o governo federal, tornou-se amplamente reconhecida como a maior e mais efetiva ação das mulheres da América Latina. A Marcha das Margaridas é, portanto, uma ação estratégica para o movimento das trabalhadoras do campo e da floresta, como também para o movimento feminista.

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